Este Blog foi escrito para o Público LGBT de todas as idades que estão a pensar em assumir-se. Nós sabemos que tomar a decisão de se assumir pode ser assustadora e desgastante. É por estas razões e devido ao nosso trabalho na área de homossexuais que fizemos este Blog. Acreditamos que informação útil e as experiências de outras pessoas em assumirem-se podem preparar-te para algumas das consequências que podem resultar de te assumires perante a família e amigos. Blog que reúne as principais notícias sobre o público Gls Glbt Lgbt (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). Tem por objetivo manter tal comunidade informada, para que usufruam de seus direitos, comemorem suas conquistas e lutem pela diminuição do preconceito. Deixe seu recado, mande suas fotos e videos poste no nosso blog Faça parte você também Participem deste blog, Mail sociedadelgbt@hotmail.com

segunda-feira, 12 de março de 2012

Estado de Maryland, nos EUA, aprova casamento homossexual



O governador de Maryland, o democrata Martin O’Halley, sancionou a lei que legaliza o casamento gay, sendo a nona unidade federativa a aprovar a medida nos Estados Unidos. O projeto foi aprovado uma semana após o visto positivo da Assembleia local e deverá começar a ser aplicado em janeiro de 2013. No entanto, a oposição republicana deverá recorrer para forçar a realização de um referendo sobre o assunto no Estado nas eleições presidenciais de novembro.
Para conseguir o plebiscito, a oposição precisa recolher pelo menos 56 mil assinaturas. Líderes religiosos já se manifestaram que são contrários à medida, argumentando com o uso da fé. No dia  24 de fevereiro, o governador de Nova Jersey, o republicano Chris Christie, vetou o projeto de lei que autorizava o casamento entre pessoas do mesmo sexo no Estado, confirmando a expectativa de rejeição à proposta. Na dia 13, Washington, no noroeste americano, passou ser o oitavo das 50 unidades federativas americanas a aprovar o matrimônio homossexual. A medida foi sancionada após ser aprovada pela Assembleia na última quarta-feira (8). A lei entrará em vigor em junho, após o prazo judicial requerido de 90 dias.
As outras unidades onde o matrimônio homossexual é permitido são os Estados de Nova York, Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Vermont e o Distrito de Columbia, onde está a capital Washington.

Não basta ser gay, tem que ter proposta. O lema, citado pelo presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, é o ponto de partida para pelo menos 110 militantes homossexuais que são pré-candidatos a vereador nas eleições deste ano. A associação listou filiados de 19 partidos que pretendem concorrer em mais de 70 municípios de 23 Estados. Em 2008, foram 80 candidatos, com seis vereadores eleitos.
Os pré-candidatos não buscaram apenas legendas de bandeiras libertárias, como o PV. Há filiados a siglas conservadoras como o PR do senador evangélico Magno Malta (ES), que no ano passado ameaçou renunciar se o Congresso aprovasse a lei anti-homofobia, com o argumento de que o projeto de lei estimula “a criação de um terceiro sexo”.
“O senador Magno Malta e eu nos damos muito bem. Ele elogia minha atuação, já me visitou aqui na cidade. Acho que um dia ele vai entender melhor o nosso movimento”, diz a travesti Moa Sélia, que disputará o terceiro mandato de vereadora no município capixaba de Nova Venécia. Moa já foi presidente da Câmara Municipal e preside o PR municipal. “Aos poucos, a gente vai se impondo perante a sociedade e até no meio político” diz ela, eleita pela primeira vez com o slogan “a diferença que faz”.
Segundo Moa, o PR ainda discute a possibilidade de lançá-la candidata à prefeitura. “Vou sempre pregar o reconhecimento dos LGBT, mas minha primeira bandeira é a moralização, o combate à corrupção. Trabalhar a questão LGBT no interior depende de Brasília. Não adianta criar leis municipais se não tiver respaldo no Congresso.”
Eclético. Assim como Moa, o candidato a vereador Sillvyo Luccio Nóbrega, da pequena cidade de Pacatuba, no Ceará, transexual, foi acolhido por uma legenda conservadora, o PSDC, democrata cristão. “O partido não tem nada a ver com minha plataforma, mas, no meu município, é aberto, eclético e eu faço parte do diretório municipal”, afirma. Uma das bandeiras do ativista de 48 anos é o acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS) de pessoas do sexo feminino que, como Sillvyo, gostariam de fazer a cirurgia para assumir o sexo masculino. “Essas cirurgias praticamente não acontecem, não existem equipes multidisciplinares”, lamenta. “Ter um amigo gay é bem humorado, ter uma amiga lésbica é ser sem preconceito. Mas ter um amigo transexual masculino, gestor público e candidato a vereador é muito forte. Não importa o número de votos. O importante é que sejamos candidatos e nos tornemos visíveis”, diz Sillvyo.
Presidente da Diversidade Tucana, grupo que reúne militantes e simpatizantes da causa gay no PSDB, o funcionário público Marcos Fernandes disputa uma vaga na Câmara Municipal paulistana. É correligionário do presidente da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso, deputado João Campos (GO), que nas últimas semanas liderou a reação à ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, defensora da descriminalização do aborto, e ao ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, católico fervoroso, que defendeu a ofensiva de comunicação do governo na guerra ideológica contra os evangélicos e sua influência na nova classe média.
“Não enfrento problemas no partido e tenho sido muito bem recebido em várias comunidades, inclusive por evangélicos. Não vejo entre os fiéis a mesma resistência da cúpula das igrejas”, diz o pré-candidato tucano.
Marcos disputou uma vaga de vereador em 2008, mas reconhece que fez uma campanha “totalmente segmentada” para o meio LGBT. Agora, ampliou o público e as propostas. “Este ano vamos tratar o tema da diversidade, da geração de emprego e renda, educação, capacitação, saúde, cultura. Tenho uma preocupação, por exemplo, com os adolescentes mais afeminados, que sofrem mais bullying”, diz o tucano, que adotou o slogan “São Paulo mais diferente e menos desigual”.
‘Em geral’. A geração de emprego também é um dos temas centrais da campanha da travesti Sharlene Rosa (PT), de 34 anos, que disputa uma vaga de vereadora em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. “Sou do movimento LGBT e também combato o preconceito em geral, contra o idoso, o deficiente. No caso do emprego, quero dar atenção à população que está na prostituição mas gostaria de seguir outro caminho”, diz Sharlene. Ela cobra da presidente Dilma Rousseff um aceno aos homossexuais.
“Entendo que o PT sofre pressão da bancada evangélica, mas acredito que a Dilma vai tomar o rumo certo e olhar para a população LGB”, diz Sharlene. E sonha: “Quem sabe, nas próximas eleições, não posso entrar na cota feminina do partido?”
Segundo Toni Reis, o momento atual é de incentivo às candidaturas LGBT, mas o movimento continuará a apoiar os “aliados”, que serão incluídos em uma lista mais ampla. Em 2008, fizeram parte da lista de aliados, entre outros, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), o ex-prefeito de Salvador Antonio Imbassahy (PSDB), além de Fernando Gabeira (PV), Jandira Feghali (PC do B), Solange Amaral (PSD) e Alessandro Molon (PT). “Não é nossa intenção afrontar os valores evangélicos e não queremos candidatos corporativistas. Não basta ser LGBT para a gente votar. A pessoa deve ter um histórico de luta e também propostas. Orientação sexual não é pauta política.”
Até o momento, 113 pessoas do movimento LGBT colocaram suas pré-candidaturas para as eleições municipais de 2012. 22 Estados. 20 partidos políticos: DEM, PCdoB, PDT, PMDB, PP, PPS, PR, PRB, PRP, PRTB, PSB, PSC, PSDB, PSDC, PSOL, PT, PTB, PTC, PTN e PV.

Há 15 anos, quando Mailton Alves Albuquerque, 35 anos, e Wilson Alves Albuquerque, 40, se apaixonaram e começaram uma relação homoafetiva que dura até hoje, não imaginavam provar do sentimento que vivem atualmente. Graças a uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), que atualiza as normas relativas à reprodução humana assistida, os empresários se tornaram o primeiro casal de homens do Brasil a ter um filho por meio de fertilização in vitro e registrado pela Justiça.
O fruto dessa união estável – que foi convertida em casamento civil pela Justiça pernambucana no dia 24 de agosto do ano passado – chama-se Maria Tereza e completou um mês de vida na última quarta-feira. Casados e agora com uma filha registrada com o nome dos dois pais, Mailton e Wilson dão um passo importante na consolidação das chamadas novas configurações familiares.
A primeira redação da resolução do CFM que trata da reprodução assistida no País, de 1992, diz que os usuários da técnica devem ser mulheres estando casadas ou em união estável. Já no novo texto, de janeiro do ano passado, não cita o sexo, mas “todas as pessoas capazes”. Diante disso, Mailton e Wilson realizaram o sonho de ter uma família completa e trouxeram a pequena Maria Tereza ao mundo.
Os dois cederam espermatozoides para serem fecundados em óvulos de um banco de doadoras. Como a resolução afirma que o útero de substituição deve ser de um parente de até segundo grau, a prima de um deles aceitou conceber a criança. Terminou sendo introduzido no útero dela um pré-embrião fecundado por material colhido de Mailton. Os pré-embriões fecundados por Wilson estão congelados. O casal pretende dar um irmão ou irmã a Maria Tereza no próximo ano.
“Nossas famílias sempre apoiaram nosso relacionamento. E quando contamos da nossa ideia, todas as mulheres da família se colocaram à disposição para ajudar a realizar nosso sonho: irmãs e primas. Mas terminou sendo uma prima minha. Agora, temos uma família completa”, contou, orgulhoso, Mailton.
Segundo ele, a ideia de ter um filho surgiu em 2010, após viajar ao Canadá para estudar e ficar na casa de um casal homoafetivo que tinha filhos. “Quando voltei, começamos a discutir o assunto e pensávamos em adotar uma criança. Mas um dia, assistindo a um programa de televisão, vi a notícia sobre a mudança na resolução do Conselho Federal de Medicina. Aí, decidimos fazer fertilização in vitro”, relembrou.
A fecundação e introdução no útero ocorreu em uma clínica de reprodução humana do Recife. O vínculo da criança com a prima que emprestou o útero terminou já na maternidade, quando os pais saíram da unidade de saúde com Maria Tereza nos braços. A mulher, que pediu para não ter o nome divulgado, tomou medicamentos para evitar a produção de leite materno.
Hoje, a pequena Maria Tereza – o nome é uma homenagem às mães de Wilson e Mailton – tem um quarto só para ela, com direito a nome na porta, e atenção completa dos dois pais. Para Wilson, a felicidade de ser pai é “inexplicável”. “A felicidade é tremenda. Nunca pensei que fosse sentir um amor tão grande. Ter uma família completa é lindo”, desabafou.


Depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer a união estável homoafetiva, gays agora usam esse direito para conseguirem se separar legalmente. Em Franca, interior de São Paulo, um casal de lésbicas garantiu a separação dos bens na Justiça depois de uma relação que durou 13 anos. Segundo o movimento gay, o caso é o primeiro no País.
A aposentada Teresinha Geraldo Lisboa, a Terê, de 51 anos, e a gráfica Márcia Pompeu Sousa, de 47, viviam juntas desde 1998. “Chegamos a um consenso, era melhor nos separarmos. Mas queríamos deixar tudo certinho na Justiça”, conta Terê.
O casal procurou o advogado Mansur Jorge Said Filho. Como elas nunca haviam oficializado o casamento, o advogado compôs uma ação de reconhecimento da união e sua dissolução, com partilha de bens. “Eu invoquei decisão do STF no sentido de considerar aplicação constitucional do Código Civil”, diz Mansur.
A Vara de Família de Franca homologou, na semana passada, o acordo proposto sem contestações. “Na prática, já nos satisfez. O Ministério Público também foi a favor com o reconhecimento e a partilha”, disse Mansur.
Em jogo, frutos do casamento, havia um carro e duas casas em Franca – embora a divisão fora acordada amigavelmente antes da ação. O carro ficou com Márcia, uma das casas com Terê e a outra, ainda em reforma, será vendida e o dinheiro, dividido.
‘Exemplo’. O presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, Fernando Quaresma Azevedo, afirma que não há notícias de outros casos após a decisão do STF. “A sociedade foi se modificando e se ajustando. Antes nem casais héteros se separavam. E com o posicionamento do Supremo, agora veio esse direito.”
Terê afirma que a ação pode servir de exemplo para casais irem atrás de seus direitos. “Tomara que sirva para que outros gays saiam do armário.” Moradora de Franca há oito anos, ela faz trabalhos sociais pela ONG Tudo Pelo Social. Em 2008, concorreu a uma cadeira na Câmara Municipal e perdeu. A culpa, para ela, foi do preconceito. “Na campanha, dizia: ‘Não estou sozinha, mas com minha esposa Márcia’. Isso deu uma grande repercussão e me falavam que não votaram em mim porque eu era gay.”
As duas se conheceram no início da década de 1990, quando trabalhavam no Belenzinho, zona leste da capital. Em 12 de junho de 1998, Dia dos Namorados, começou o flerte. No dia seguinte, o primeiro beijo. “Depois nunca nos separamos, uma lutando pela outra.” Mas os problemas cresceram e sufocaram o amor. Só restou a separação. “Não penso em ter ninguém, amo ela, mas o melhor foi isso.”
PARA LEMBRAR
O reconhecimento da união estável entre homossexuais foi reconhecida, em decisão unânime, no dia 5 de maio de 2011 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, os casais homossexuais têm os mesmos direitos e deveres que a legislação brasileira estabelece para os heterossexuais. Passam a ter reconhecido o direito de receber pensão alimentícia, ter acesso à herança de companheiro morto e podem ser incluídos como dependentes nos planos de saúde. Poderão adotar filhos e registrá-los.


Uma pesquisa do portal GayCities.com, em parceria com a companhia aérea American Airlines, aponta São Paulo como um dos melhores destinos gay friendly – receptivo ao público LGBT – em todo o mundo. A capital paulista aparece em quarto lugar, com 6% dos votos. Tel-Aviv (43%), em Israel, ficou no topo da lista. Nova York (14%), nos Estados Unidos, ficou em segundo lugar. Em seguida, vêm Toronto (7%), no Canadá. Madri e Londres ficaram em quinto lugar, com 5% dos votos.
A pesquisa também avaliou outros oito quesitos das cidades, entre eles melhor gastronomia, moda e vida noturna. São Paulo foi citada novamente no quesito “Cidade do Orgulho Gay”. Ficou em segundo lugar, com 12% dos votos, atrás de São Francisco, nos Estados Unidos, que liderou a lista, com 29% das citações. O dado é reflexo da Parada Gay. Para Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT, o evento, que neste ano fará sua 16ª edição, teve grande importância para destacar a cidade.
“Além de trazer um grande número de turistas, a parada fez a cidade discutir um tratamento igualitário para a questão da homossexualidade”, afirmou Quaresma. “O ramo da hotelaria e de alimentação se preparam cada vez melhor para receber esse público. Só no ano passado, cerca de quatro milhões de pessoas estiveram na Paulista para acompanhar o evento”, disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


A Justiça determinou, em primeira instância, que o centenário Club Athletico Paulistano, frequentado pela elite da cidade, inclua o cirurgião plástico Mario Warde Filho, 40, como dependente de seu parceiro, o médico infectologista Ricardo Tapajós, 46, sócio do clube. A filha de Warde Filho também deverá ser incluída.
O estatuto do Paulistano entende como união estável apenas a relação entre homem e mulher. Para acolher o novo dependente, a maioria dos 220 conselheiros teria que ser favorável a alterar o estatuto, o não aconteceu. Por meio de sua assessoria de imprensa, o clube Paulistano limitou-se a informar que vai recorrer e que, só ao final da ação, cumprirá a decisão da Justiça.


O paciente deita no divã e pede: não quer mais ser gay. O psicólogo deve ajudá-lo a reverter a orientação sexual? Parlamentares evangélicos dizem que sim e tentam reverter uma resolução do Conselho Federal de Psicologia. Um projeto de decreto legislativo quer sustar dois artigos instituídos em 1999 pelo órgão. Eles proíbem emitir opiniões públicas ou tratar a homossexualidade como um transtorno.
Segundo o projeto do deputado João Campos (PSDB-GO), líder da Frente Parlamentar Evangélica, o conselho “extrapolou seu poder regulamentar” ao “restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional”. O conselho de psicologia questiona se o projeto pode interferir na sua autonomia. Para o presidente do órgão, Humberto Verona, estão lá normas éticas para combater “uma intolerância histórica”.
Deve-se curar a “síndrome de patinho feio”, e não “a homossexualidade em si”, diz Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Para ele, é o preconceito que leva um gay a procurar tratamento. ”[Ninguém diz] ‘cansei de ser hétero, vim aqui me transformar’”, completa Verona.
FREUD EXPLICA?
O estudante de direito e homossexual Fábio Henrique Andrade, 18, foi mandado para o psicólogo pela primeira vez com dez anos. O filho deveria “tomar jeito” antes que virasse gay, na opinião de sua família adotiva. A voz fina tirava o pai do sério. “Falava que era de veado.” E também o fato de ele só brincar com as meninas.Para o pastor e deputado Roberto de Lucena (PV-SP), cruel é deixar “um homem em conflito” ao léu psicológico. Ele é relator do projeto de Campos, hoje sob análise da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara. A princípio, Lucena crê que os pais têm o direito de mandar seus filhos para redirecionamento sexual. Mas reconhece que o tema deve ser discutido em audiência pública, prevista para as próximas semanas em Brasília.

segunda-feira, 5 de março de 2012

O poderoso mercado gay

Consumidores de respeito
Feira de negócios, atendimento especializado e pesquisas de mercado mostram a força do pink-money no Brasil
Por Renato Vaisbih


Os gays já saíram do armário exigindo respeito há muito tempo, como atestam as manifestações em todo o Brasil e mundo afora. Agora é a vez de as empresas enxergarem a nova realidade, deixando de lado os preconceitos e estereótipos para encarar com respeito e seriedade o público conhecido hoje como LGBTTT­ - Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros. Prova disso é a expectativa gerada por uma feira de negócios para esse nicho de mercado que vai acontecer de 3 a 5 de junho de 2010, no Anhembi, em São Paulo, justamente às vésperas da Parada Gay 2010. É o reconhecimento definitivo da força do mercado multicolorido.
O publicitário Haysam Ali, de 23 anos, que se juntou à empresa Melior Eventos para organizar o Friendly Festival, esbanja otimismo. `Ainda não calculamos o montante que será investido, mas temos quase certeza de que o evento vai gerar lucro, já que é algo inédito e tem o potencial de reunir grandes empresas. De tantas feiras que existem, nunca vi algo focado em business para o público gay`, afirma Ali. (Na verdade, a única experiência semelhante no Brasil ocorreu em 2006 na Bienal, um evento chamado Pride & Attitude Brasil).
Depois de quase um ano elaborando o projeto, uma equipe saiu às ruas na segunda quinzena de novembro para vender espaços aos possíveis expositores e captar recursos com patrocinadores. Os organizadores do Friendly Festival esperam reunir pelo menos 40 expositores em estandes que ocuparão área mínima de 20 m² e atrair um público de aproximadamente 25 mil pessoas durante os três dias da feira. No projeto, além da presença de personalidades brasileiras, está proposta uma palestra com Philip­­ Kotler, guru do marketing internacional, que citou um empreendimento da construtora brasileira Tecnisa, vol­tado ao público homossexual, na 12ª edição do seu livro Princípios de Marketing, lançada em 2007.
Alegria, alegria
`O público gay é divertido, não tem paciência para ficar em um evento sem agito. Por isso, vamos ter atrações a toda hora. A feira vai terminar no sábado à noite com uma festa do circuito Velvet Club, em um aquecimento para a Parada Gay no dia seguinte`, diz Ali. O circuito Velvet Club, idealizado pelo próprio Ali com o aporte de R$ 1,5 milhão, prevê a realização de sete festas para o público gay com alto poder aquisitivo, a última delas em dezembro de 2010, na inauguração de uma casa noturna. A primeira festa estava prevista para dezembro de 2009, no Buddha Bar Brasil, na Villa Daslu, com ingressos entre R$ 200,00 e R$ 430,00. A principal atração seria a DJ Samantha Ronson, conhecida no circuito LGBTTT por seu repertório diferenciado e pelo affair com a atriz Lindsay Lohan.
O circuito Velvet Club já atraiu, logo de cara, grupos renomados como as grifes Diesel, Dsquared2 e Ellus Jeans Deluxe e a empresa Pernod Ricard Brasil, responsável pela fabricação e distribuição de vinhos e destilados, destacando-se as marcas Absolut, Chivas e o champagne Perrier Jouët, uma das mais caras do mundo, a R$ 670,00 cada garrafa.
Empresas gay friendly
O atendimento especializado aos clientes gays já se consolidou em grandes empresas espalhadas pelo mundo e vem ganhando novos adeptos. Em Nova York, por exemplo, o mais recente peso-pesado a aderir ao estilo gay friendly foi a tradicional loja de departamentos Macy`s, que se preparou para receber o público da Gay Pride 2009, em junho passado, inclusive com dicas de presentes para casais do mesmo sexo.
Por aqui, não é apenas a Tecnisa que investe na capacitação de funcionários e faz ajustes nas plantas de apartamentos para atender às preferências do público gay, de maneira a atrair o chamado pink-money. Algumas seguradoras e planos de saúde já oferecem produtos específicos para homossexuais. É o caso da American Life, que lançou em 2006 o seguro Vida Freedom, com o slogan `Quem ama cuida. Quem cuida faz Vida Freedom`. O material da campanha publicitária mostrava fotos de casais do mesmo sexo em situações cotidianas. A seguradora viu no público LGBTTT novas oportunidades de negócios, embora também comercialize outros produtos segmentados, como planos para diabéticos, mototaxistas, médicos e profissionais do setor aeroespacial.
A TAM Viagens também acredita que pode lucrar com o atendimento friendly e criou um departamento sob responsabilidade do gerente comercial Clóvis Casemiro, experiente executivo do setor de turismo para homossexuais. Ele também é embaixador no Brasil da International Gay and Lesbian Travel Association (IGLTA), que recentemente elegeu o Rio de Janeiro como melhor destino gay do mundo. Casemiro explica que `o cliente GLS prefere um atendimento aberto e claro sobre o que esperar na sua viagem, como solicitar hotéis próximos aos pontos gays das cidades que serão visitadas e até ter a liberdade para pedir uma cama de casal no quarto. Os gays e lésbicas querem ser reconhecidos e respeitados como consumidores`.
O executivo enumera diversos programas com foco no público gay, como `as paradas do orgulho LGBTTT - só no Brasil, são mais de 150 - e eventos como Hell and Heaven, três dias de balada com música eletrônica na Costa do Sauípe (BA), e o Gay Games, na Alemanha. `Isso sem falar dos produtos turísticos adaptados para esse público, que vão desde pacotes para o Nordeste até roteiros completos pela Europa`, completa Casemiro.
Antes de trabalhar na TAM Viagens, Casemiro figurou na lista dos dez gays mais poderosos do Brasil, elaborada pela Folha Online em 2006, que teve como principal critério de escolha `a capacidade de influenciar decisões e comportamentos coletivos`. Ele ainda participou da montagem da loja da operadora CVC no shopping Frei Caneca, considerado um reduto do público gay, apesar de a administração do centro de compras afirmar que não reconhece esse rótulo e garantir que busca atender a todos os tipos de consumidores.
Mercado suculento
Se nos últimos anos os homossexuais desafiaram preconceitos e conquistaram espaços na sociedade, na vida cotidiana ainda perduram estereótipos, inclusive com relação aos hábitos de consumo. Um deles é a idéia de que todos os gays têm alto poder aquisitivo e são consumistas.
Para Fábio Mariano Borges, sócio-diretor da inSearch, especializada em pesquisa de mercado, esta é uma percepção errônea. Ele cita um levantamento feito em 2007 para três clientes - cujos nomes não pode revelar - dos segmentos de preservativos masculinos, produtos de higiene pessoal/cosméticos e construção civil. `As empresas buscavam conhecer o público gay masculino, com dados estatísticos, e entender seu potencial de compra, hábitos de consumo e estilo de vida`, esclarece.
A pesquisa ouviu 5.315 gays em 52 cidades de 17 estados brasileiros, sendo 39% das classes A e B e 30% da classe C. Esse resultado, na opinião de Borges, `mostra que temos basicamente uma classe média gay, com renda pouco superior a R$ 2 mil mensais, mas que não é elitizada. Todo gay fica rico? Todo rico é gay? Quem pensa que a resposta é sim segue um pensamento cartesiano que não faz sentido`, alfineta Borges.
Os resultados confirmam, porém, outro estereótipo sobre o consumidor gay: o alto grau de escolaridade e o interesse em produtos culturais. Dos entrevistados, 22% têm curso superior completo e 63% concluíram o Ensino Médio. Também são leitores de jornais (88%), revistas (94%) e livros (57% compram até oito livros por ano), gostam de ir ao cinema (73% vão três vezes ao mês) e ao teatro (46% vêem uma peça por mês).
`Mesmo dentro das classes baixas, o homossexual vai mais longe nos estudos se a comparação for feita com a população geral na mesma faixa de renda. E, em qualquer classe social, quem tem mais escolaridade compra mais livros ou vai mais ao cinema e ao teatro`, analisa Borges.
Ele concorda, porém, que `o potencial de compra dos gays realmente é maior, uma vez que é um público single, mesmo que tenha um relacionamento estável com outra pessoa ou necessite ajudar alguém da família. No entanto, os gays são em geral muito mais sociáveis, não ficam em casa vendo TV. Então, acabam gastando mais em viagens, restaurantes, bares, casas noturnas, cinema e tea­tro. E, consequentemente, quanto mais você sai, mais roupa você precisa comprar. Daí surgirem algumas pistas dos hábitos de consumo`, diz.
No meio acadêmico, o comportamento dos consumidores gays ainda não é objeto frequente de estudo. Um dos poucos pesquisadores do assunto é Bill Pereira, professor associado da Fucape Business School, em Vitória (ES), que elaborou a tese de doutorado Da `invenção` da homossexualidade ao discurso das posses: uma análise interpretativa da identidade homossexual, sob a orientação de Eduardo André Teixeira Ayrosa, na FGV-RJ. `Os gays querem entrar em uma loja e ter um bom atendimento. O vendedor não pode mudar o seu comportamento ao saber que o cliente é homossexual. E os casais do mesmo sexo buscam ambientes em que podem agir naturalmente; buscam segurança física e moral`, explica Bill Pereira.
Já Ayrosa revela um segredo aos empreendedores que querem conquistar este nicho de mercado. `As pessoas é que têm identidade de gênero. Então, não existe empresa gay. A empresa precisa conhecer os códigos dos clientes homossexuais: ela não precisa explicitar este diálogo, já que o público-alvo vai entender o discurso. Assim, uma empresa que quer atrair o público gay precisa contratar funcionários gays, que são os que conhecem a linguagem deste grupo`, conclui.
Pesquisas apontam que os homossexuais costumam gastar 30% mais do que heterossexuais das mesmas classes sociais e faixas etárias. Estima-se que há cerca de 20 milhões de gays no País, o equivalente a quase 10% da população. Como se vê, o mercado ainda tem muito a aprender.
Sopa de letrinhas
Movimentos que lutam pelos direitos dos homossexuais na sua pluralidade já se valeram de várias nomenclaturas. A mais conhecida, dos anos 90, é a sigla GLS, abarcando gays, lésbicas e simpatizantes. Como explica Regina Facchini no livro Sopa de letrinhas: movimento homossexual e produção de identidades coletivas nos anos 90, o posicionamento de alguns grupos e até mesmo o machismo fizeram a sigla mudar. Assim, o politicamente correto nos dias atuais é LGBTTT - lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros.
É proibido proibir
Se não é pelo respeito aos gays, que se faça valer a lei. Em novembro, completou um ano a lei municipal que pune até com cassação do alvará os bares e restaurantes cariocas que impedem homossexuais de trocarem carícias em suas dependências. No Estado de São Paulo, uma lei de 2001 penaliza a prática de discriminação por orientação sexual em qualquer tipo de estabelecimento.

Mercado gay cresce no Brasil e há muito espaço para expansão, mas os empreendedores precisam se livrar de preconceitos e clichês para aproveitar as oportunidades
Neste mês, mais precisamente no dia 6 de junho, a cidade de São Paulo será palco da maior Parada do Orgulho Gay do mundo. A expectativa é que mais de 3 milhões de pessoas participem da comemoração, sendo que aproximadamente 600 mil serão turistas vindos de todas as regiões do Brasil e de outros países. No ano passado, a Parada movimentou R$ 200 milhões em um fim de semana, ficando atrás apenas da Fórmula 1 no ranking dos eventos mais lucrativos, segundo dados da São Paulo Turismo (SPTuris), órgão oficial de turismo da capital paulista. A grandiosidade do evento e dos números não deixa dúvidas sobre o crescimento e a consolidação do universo – e do mercado – LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).
O chamado pink money tem atraído a atenção de empresas de diferentes segmentos. Além do já consagrado roteiro de boates, bares e saunas, a cada dia surgem novos negócios voltados aos homossexuais, incluindo loja de roupa, editora, companhia de seguro, restaurante e até mesmo um pet shop. Mas, para se tornar gay friendly, não basta hastear uma bandeira do arco-íris na porta do estabelecimento. De acordo com especialistas, é preciso investir em produtos e serviços inovadores, planejados sob medida para as necessidades e desejos do público-alvo. O atendimento também deve ser priorizado: mais sensíveis ao desrespeito do que a média da população, os consumidores homossexuais também são conhecidos por serem exigentes, fiéis às marcas e bem informados.
Pesquisas indicam que o público LGBT também costuma consumir mais que o heterossexual. Como a maioria não tem filhos, sobra mais dinheiro – e tempo – para gastar com artigos culturais, produtos de grife e lazer. A indústria do turismo foi uma das primeiras a perceber essa oportunidade e, não por acaso, é a mais bem preparada do Brasil para atender à demanda LGBT. Segundo a Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat-GLS), existem aproximadamente 50 agências e operadoras de turismo voltadas aos gays no País. Grandes redes hoteleiras – como Pestana, Othon, Accor e Golden Tulip – também se declaram gay friendly. “É evidente o crescimento do mercado e do turismo LGBT no Brasil e há um amplo terreno a ser explorado por empresas que queiram e saibam trabalhar com o segmento”, afirma Almir Nascimento, presidente da Abrat-GLS.
Reconhecido internacionalmente co­mo destino gay friendly, o Brasil – e mais especificamente a cidade de Florianópolis – será sede do maior evento de turismo internacional LGBT do mundo. Trata-se da 29ª Convenção Global da IGLTA (International Gay & Lesbian Travel Association), principal entidade do segmento turístico LGBT do mundo. Agendado para 2012, o evento deve reunir 450 congressistas, sendo 70% estrangeiros vindos de todo o mundo. A capital catarinense, que foi eleita pelo jornal The New York Times como destino “Party & LGBT” de 2009, destacou-se perante as concorrentes – Berlim e Madri – e será a primeira cidade da América Latina a sediar o evento. A expectativa da Embratur e da Abrat-GLS é que a ocasião seja um marco no mercado turístico gay do Brasil. “A tendência é aumentar cada vez mais a demanda por produtos específicos e profissionais habilitados para atender esse público”, diz Nascimento.
Lançada no fim de 2009, a Câmara de Comércio LGBT do Brasil é outra iniciativa que reflete o crescimento do mercado gay no País. Inédita no País, a organização sinaliza novos tempos para os empreendimentos LGBT. “O mercado gay sempre existiu, mas agora é que estamos começando a abrir as portas novamente. E o primeiro passo é unir os empreendedores que se dedicam ao nosso segmento”, avalia Douglas Drumond, presidente da entidade. Atualmente com 100 associados, a Câmara tem como objetivo promover trocas de experiências, ações de marketing e eventos, entre eles o 1º Festival Gastronômico GLS de São Paulo, que acontecerá durante a semana da Parada do Orgulho Gay e terá participação de bares e restaurantes gay friendly da cidade.
Mas, afinal, o que caracteriza uma empresa gay friendly? Para Douglas Drumond, trata-se simplesmente de uma questão ideológica ao alcance de qualquer marca ou organização. “Uma borracharia, por exemplo, pode ser gay friendly, não precisa vender pneu nas cores do arco-íris”, exemplifica. Dessa forma, as organizações gay friendly se diferenciam pela ausência de preconceitos e clichês associados aos homossexuais. “Muitas vezes a discriminação acontece de forma sutil, mas não menos ofensiva, como olhares de lado. Se eu estou dentro do seu estabelecimento, disposto a gastar meu dinheiro, eu exijo bom atendimento”, explica Drumond, que também é empresário do ramo hoteleiro e de entretenimento.
Evitar a homofobia e banir toda e qualquer forma de preconceito no ambiente corporativo é um processo que ocorre “de dentro para fora”, segundo Laura Bacellar, coautora do livro Mercado GLS – Como obter sucesso com o segmento de maior potencial da atualidade (Ed. Ideia & Ação). “Ser gay friendly significa ter políticas de treinamento para que todos os funcionários saibam como tratar as minorias sexuais, além de ter políticas claras e explícitas de não-discriminação de seus funcionários gays e lésbicas, pois nenhuma empresa será gay friendly se discriminar seus próprios colaboradores”, diz Laura.
Na avaliação da autora, o mercado LGBT no Brasil ainda não está consolidado, apesar da crescente expansão. “Os empresários nem sempre aproveitam as oportunidades e só se lembram de fazer alguma ação específica às vésperas da Parada Gay, por exemplo. Sendo que esses milhões de pessoas estão por aí o ano inteiro, consumindo.” Além de escritora, Laura Bacellar também é uma empreendedora pioneira na edição de literatura LGBT no Brasil. Em 1998, ela deu início às Edições GLS, com a proposta de ocupar um espaço esquecido pelas grandes editoras. “Minha ideia era ter uma atitude aberta a respeito das minorias sexuais, já que o mercado editorial não se assumia diretamente. A Editora Record tinha um selo voltado aos gays, chamado Contraluz, mas era tão secreto e mal divulgado que eu devo ser uma das poucas pessoas que sabe disso”, comenta.
Dez anos mais tarde, em 2008, Laura fundou a primeira casa editorial lésbica – não só a única do Brasil, mas de toda a América Latina. Mais do que pioneira, a ideia de abrir uma editora com foco na literatura lésbica foi estratégica. “Em 2007, por exemplo, entre os mais de 30 mil títulos novos lançados no País, nem um tinha temática lésbica. Não é incrível ignorar um segmento que inclui 9 milhões de mulheres, 3 milhões se considerarmos as economicamente ativas e consumidoras de cultura?”, reflete a empresária. De olho nesse mercado, ela deu início à operação da Editora Malagueta, com o objetivo de “romper as barreiras e os preconceitos e abrir espaço para mostrar as lésbicas como realmente elas são: pessoas comuns, normais, legais, porém com a particularidade de gostar de outras mulheres”. Em dois anos de mercado, a editora – que aposta nas vendas on-line – já lançou cinco títulos próprios e comercializa uma média de 60 livros, praticamente tudo o que existe em catálogo sobre lesbianismo.

Na opinião de Laura, a principal dificuldade em atuar num nicho tão específico é a comunicação. “Não é fácil se comunicar com um grupo que é invisível, não se esforça para aparecer – por conta do preconceito –, está espalhado pelo País e não é acostumado a encontrar produtos específicos para lésbica”, aponta. Mas quando a mensagem atinge o público-alvo, o retorno é garantido. “A resposta tem sido entusiástica. Contamos com clientes que são nossas divulgadoras gratuitas simplesmente por acreditarem em nós e no que estamos fazendo”, comemora.
Outro desafio às empresas é não existir muitas pesquisas e dados disponíveis sobre o segmento LGBT. “Trabalhamos com uma estatística universal, que afirma que 10% da população é homossexual, mas na verdade ninguém nunca contou”, afirma Drumond. Mas a situação deve melhorar a partir deste ano. Em 2010 será a primeira vez que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai contabilizar casais homossexuais (e que moram juntos) no censo demográfico realizado em todo o País, o que deve auxiliar os departamentos de marketing na criação de produtos e serviços de nicho. O IBGE já utiliza questionários com perguntas sobre a união estável homossexual em alguns municípios, mas desta vez a pesquisa envolverá todas as cidades brasileiras.
Da mesma forma como a postura gay friendly é uma questão de atitude, também não é preciso recorrer a nenhum estereótipo para associar a imagem da empresa ao segmento LGBT. “Não acho que precisamos criar ambientes exclusivamente gays. Isso foi muito comum nos anos 1990, quando a cultura LGBT começou a sair do armário, mas hoje em dia já há uma integração muito maior”, reflete Douglas Magri, proprietário do Piaf Bistrô, restaurante voltado ao nicho LGBT, mas que nem por isso deixa de atrair os heterossexuais. Localizada na Alameda Franca, em São Paulo, a casa não difere em nada dos bares e bistrôs da região: o ambiente é aconchegante e refinado, com som ambiente e cardápio de inspiração francesa. “O diferencial é que aqui um casal gay ou lésbico pode ficar de mãos dadas ou trocar olhares apaixonados sem medo de ser discriminado”, afirma o proprietário. Para garantir a qualidade do atendimento, os funcionários – que não são necessariamente gays – do Piaf Bistrô são encaminhados para o curso de capacitação em atendimento ao público LGBT, oferecido pela Coordenadoria para Assuntos da Diversidade Sexual (Cads) e a São Paulo Convention Bureau. “Nas entrevistas, antes de contratar novos funcionários, sempre enfatizo a nossa postura de ser uma casa aberta à diversidade sexual”, diz Magri.
O que motivou o veterinário David Bialski a investir no segmento LGBT foi praticamente uma “missão”, a de atender todos igualmente, sem distinção de raça, cor ou orientação sexual. Assim surgiu o Bicho da Caneca, primeiro pet shop gay friendly do País, localizado na Rua Frei Caneca, um dos redutos do público LGBT na capital paulista. “Queremos que a loja seja a extensão da casa das pessoas, para que todos sejam quem são sem medo de julgamento ou discriminação”, define Dayana Bialski, irmã de David e atual gestora. Para garantir que os clientes se sintam sempre à vontade, a empresa também aposta na capacitação dos funcionários. Ministrado pela empresa Encantadores de Clientes, o treinamento inclui exercícios de teatro, expressão corporal e muita conversa.
A fórmula deu certo: em sete anos de mercado, o Bicho da Caneca possui hoje uma clientela fiel, além de atrair curiosos e turistas de toda a parte. Além de oferecer os produtos e serviços comuns em todos os pet shops – rações, coleiras, acessórios, banho e tosa –, a loja também trabalha com itens temáticos, como coleiras, comedouros, roupinhas e demais acessórios nas cores do arco-íris, um sucesso entre os gays e lésbicas, tanto que, dizem os vendedores, há até mesmo quem já comprou sem nem mesmo ter um animalzinho em casa.
Para aproveitar o movimento e animar ainda mais o local, há dois anos foi inaugurada uma cafeteria anexa ao pet shop, o Café na Caneca, onde são servidos bebidas e petiscos. É ali que acontecem eventos como feira de adoção e festas temáticas – com a participação dos cachorros. Satisfeita com a aceitação do público e a lucratividade da empresa, Dayana planeja, a médio prazo, transformar o Bicho da Caneca em franquia. Segundo a empresária, trata-se de um nicho de mercado promissor e ainda inexplorado. “Como geralmente não têm filhos, os gays não se importam em gastar com o cachorro ou gato, comprando as melhores rações, roupas e acessórios”, explica.
Concentrada sobretudo nas grandes cidades, a maioria dos negócios LGBT que existem hoje no Brasil foi inspirada em iniciativas internacionais. É o caso da Cox, loja especializada em underwear e moda masculina. Situada no Rio de Janeiro, a grife segue os moldes das lojas de San Francisco (EUA), mais especificamente do Castro, o bairro gay da cidade. “A minha sócia, Mônica, morou durante 12 anos em San Francisco e eu frequentei o local durante esse tempo. Quando ela voltou para o Rio, nós percebemos a carência desse tipo de estabelecimento, pois o comércio voltado aos gays já é comum em muitos lugares do mundo, como Nova York e Londres”, conta Ana Quaresma, sócia da empresa.
Da decoração ao mix de produtos, passando pela localização e o atendimento, tudo na Cox foi planejado sob medida para atender às expectativas dos gays. O estabelecimento oferece apenas marcas que tenham como principal foco o público LGBT, caso da australiana Aussiebum, anunciada exclusivamente em publicações de nicho. Há também os itens de marca própria, que se destacam pelas cores e estampas ousadas. Mais uma vez, o que faz a diferença é o atendimento. “Por ser uma loja assumidamente gay, os casais ficam à vontade para dar as mãos ou pedir uma dica de presente para o namorado, como dificilmente fariam em outras lojas”, explica Ana.
Ponto turístico
Se quando abriu as portas em 2008 a Cox foi alvo da desconfiança de muita gente, hoje a marca já está consolidada e se tornou, inclusive, ponto turístico da cidade. A procura é tanta que, em breve, a loja deve entrar no roteiro turístico oficial de uma agência de turismo da cidade. “Temos uma clientela fiel de todo o Brasil e também do exterior, já que no verão nosso público chega a 60% de turistas”, revela Ana.
A morte da cantora Cássia Eller, em 2001, representou um marco na sociedade brasileira. Homossexual assumida, Cássia nunca escondeu que vivia com uma companheira, que a ajudava na criação de seu filho Francisco. Quando morreu, teve início a polêmica envolvendo a criança, pois o pai da cantora entrou na Justiça pedindo a guarda do neto. Com um detalhe: o garoto sempre manifestou o desejo de ficar com Maria Eugênia Vieira Martins. Com ampla cobertura da mídia e o apoio da opinião pública, o juiz do caso, em decisão inédita, entregou a guarda de Francisco à companheira de Cássia.
Foi inspirada nesse caso que a empresa American Life inovou e desenvolveu o primeiro seguro de vida voltado ao público LGBT. Chamado de Vida Freedom, o produto funciona como os demais seguros de vida, com a diferença de que o contrato equipara a relação homoafetiva estável à heterossexual. “Noticiou-se que a família de Cássia conseguiu ficar com o patrimônio dela. Acontece que a indenização do seguro de vida não entra em inventário e, portanto, resolveria a situação, deste ponto de vista, pois quem a recebe é a pessoa indicada como beneficiária, designada por quem contrata o seguro”, diz Marcelo de Freitas, gerente de relacionamento da American Life.
Outro produto inovador que acaba de chegar ao mercado é o Arco-íris Card, primeiro cartão de crédito voltado ao consumidor LGBT. Lançado no início deste mês durante o evento de apresentação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, o produto será emitido pelo banco Ficsa e deve entrar em operação no segundo semestre do ano. A expectativa é emitir 120 mil cartões em cinco anos, segundo Carlos Rito, sócio da JJCL Brasil Cartões, responsável pela criação do produto. Além de funcionar como um cartão de crédito comum, o Arco-íris Card prevê benefícios como programa de milhagens, seguros e títulos de capitalização. A partir do lançamento, a administradora pretende ainda criar um fundo de apoio aos estudos sobre a cura da Aids e entidades ligadas à causa. “A ideia é aproveitar o crescente poder de compra deste público e criar benefícios que retornem à comunidade”, afirma Rito.
Além de adaptar produtos e serviços ao público gay, existem ainda empresas que são especializadas em itens temáticos, caso da Acessórios Arco-Íris, de São Paulo. Como o nome indica, o estabelecimento é especializado em artigos LGBT, a maioria nas cores do arco-íris. O mix de produtos é diversificado e vai de roupas a utensílios domésticos, incluindo bandeiras, moda praia, calçados, cosméticos e bijuterias. O negócio – que começou informalmente em 1995 quando a proprietária, Adriana Simone, decidiu confeccionar uma camiseta nas cores da bandeira LGBT – hoje possui clientes no atacado e varejo, além de vender para todo o Brasil através da internet. “Pretendemos abrir uma loja maior e, quem sabe, num futuro bem próximo, aderir ao franchising”, conta Adriana.
Outra maneira de gerar uma imagem gay friendly para a empresa é apostar em ações pontuais, como faz o parque de diversões Playcenter, em São Paulo. Em parceria com a entidade que organiza a Parada do Orgulho LGBT, a empresa promove o Gay Day, que acontece todos os anos no sábado que antecede o evento. Além das atrações fixas, neste dia o parque terá o reforço de um palco onde se revezarão aproximadamente dez DJs. A programação inclui ainda shows artísticos e performances de drag queens, com destaque para a presença do ex-BBB Dicesar na pele de Dimmy Kierr. Na edição passada, o evento reuniu 7 mil pessoas e a organização espera repetir a dose neste ano. Segundo Michelle Costa, gerente de marketing do Playcenter, a iniciativa reforça a postura da empresa de ser um espaço aberto à diversidade – seja ela sexual, religiosa ou cultural. “Procuramos nos aproximar e receber os mais diversos públicos, respeitando sempre suas diferenças. Também promovemos, por exemplo, eventos de igreja, musicais, etc.”, diz a executiva.
Perfil do público gay
  • Correspondem a 10% da população, totalizando cerca de 18 milhões de brasileiros
  • 30% é o que eles gastam a mais do que os heterossexuais durante viagens e passeios
  • 40% estão em São Paulo, 14% no Rio de Janeiro, 8% em Minas Gerais e 8% no Rio Grande do Sul
  • 36% pertencem à classe A, 47% são da B e 16% da C
  • 57% têm nível superior, 40% médio e 3% ensino fundamental
  • 69% já assumiram sua preferência sexual
  • 52% assumem para amigos, 14% para o chefe do trabalho e 9% para a família
  • 65% já sofreram algum tipo de discriminação
Como evitar a discriminação no ambiente corporativo
Incluir a proibição de discriminação por orientação sexual e identidade de gênero no código de ética e normas de conduta da empresa. A linguagem usada deve ser clara, sem qualquer ambiguidade, e demonstrar total comprometimento da empresa pela manutenção de um ambiente respeitoso e de igualdade.
Divulgar constantemente dentro da empresa a firme intenção de combater a discriminação.
Todos os materiais de comunicação interna, treinamento, procedimentos, escritos ou eletrônicos, devem incluir sempre que pertinente uma clara menção à não-discriminação por orientação sexual e identidade de gênero.
Toda vez que falar de discriminação e diversidade, os comunicados da empresa devem incluir a orientação sexual. Por exemplo: “Nossa empresa não discrimina nenhuma pessoa com base em etnia, cor, credo, sexo, orientação sexual, identidade de gênero, estado civil, idade ou deficiência física”.
Estabelecer procedimentos e canais de comunicação que permitam que homossexuais que sofram discriminação – inclusive de seus superiores – possam reclamar e obter soluções sem sofrer perseguição. Os procedimentos e canais são similares aos criados para conter comportamentos e condutas como assédio sexual e racismo.
Estabelecer as punições cabíveis em casos de discriminação comprovada em seu ambiente de trabalho. A empresa deve deixar claro que não vai tolerar comportamentos discriminatórios, independentemente da posição hierárquica dos envolvidos, divulgando as punições cabíveis (advertência, suspensão, demissão sumária por justa causa).
(*) Extraído do livro Mercado GLS – Como obter sucesso com o segmento de maior potencial da atualidade (Ed. Ideia & Ação), de Laura Bacellar e Franco Reinaudo.
Contato:
Abrat-GLS: (11) 3101-4155
Acessórios Arco-íris: (11) 3337-3768
American Life: 0800 770 1102
Bicho da Caneca: (11) 3258-6713
Câmara de Comércio LGBT do Brasil: (11) 3171-3739
Cox Ipanema: (21) 3795-6698
Editora Malagueta: (11) 5539-2801
Piaf Bistrô: (11) 2501-9821
Playcenter: (11) 2244-7529
SPTuris: (11) 2226-0400

BASTA DE HOMOFOBIA!

Abaixo-assinado por políticas públicas contra a homofobia, por uma escola sem homofobia e pela criminalização da homofobia
Colabore com o combate à homofobia, preenchendo e distribuindo o abaixo-assinado. É só clicar aqui e imprimir, ou salvar, e preencher. Divulgue também para organizações e pessoas que queiram colaborar.
A proposta é de entregar as assinaturas coletadas à Presidência da República e à Presidência do Congresso Nacional em dezembro de 2011.
Sugerimos que os/as organizadores/as das Paradas LGBT aproveitem a oportunidade das paradas para maximizar a coleta de assinaturas.
Em breve também haverá uma petição on-line.
O abaixo-assinado pode ser personalizado, incluindo o nome da organização e logomarca, do lado direito.
O abaixo-assinado pode ser devolvido:
  • por e-mail (formulário com os dados digitados), para presidencia@abglt.org.br
  • escaneado e enviado por e-mail, para presidencia@abglt.org.br
  • pelo correio convencional, para: ABGLT, Av. Mal. Floriano Peixoto, 366 – Cj. 47, Curitiba-PR 80010-130
Prazo-limite para envio: 10 de dezembro de 2011

15/02/2012 - NOTA PÚBLICA – Sobre as graves violações dos direitos humanos da população LGBT

Data: 15/02/2012
A população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT é constantemente violentada por atos homofóbicos e, nesse cenário, o ano de 2012 já nos apresenta alguns dados que demonstram o quão distante o Brasil está de ser um território livre da homofobia.
Prova disso é a tentativa de assassinato do professor Anízio Uchôa em Altamira no Pará no dia 13 de fevereiro de 2012. Anízio foi brutalmente agredido e enterrado vivo – felizmente, o professor sobreviveu. Somados a essa tragédia, outros casos divulgados pela mídia nos últimos dias demonstram o aumento da homofobia nas diversas regiões brasileiras: a agressão sofrida por um casal de gays praticada por taxistas clandestinos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o brutal assassinato do professor da Universidade Federal de Tocantins, Cleides Antonio Amorim, a prisão de assassino em série de travestis em Patos, na Paraíba, e o espancamento do jovem militante LGBT, Willian Santos em Porto Alegre, juntamente com outros casos de assassinatos e agressões a lésbicas, gays, travestis e transexuais.
Nesse cenário de violações, o Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT) repudia toda e qualquer forma de violência e discriminação contra a população LGBT, pois é incompatível com a construção de uma sociedade mais justa, com equidade e respeito à diversidade. O CNCD/LGBT e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) se comprometem a acompanhar a apuração dos fatos e envidar esforços não apenas para resolução desses casos, mas para evitar situações similares através de políticas públicas que enfrentem a violência e promovam os direitos dessa população e possibilitem a criminalização da homofobia no Brasil.
O CNCD/LGBT salienta a importância de denunciar ou comunicar quaisquer casos de violações de direitos humanos às autoridades locais e, principalmente, para o Disque Direitos Humanos (Disque 100), através do módulo LGBT. O conhecimento desses casos possibilitará uma articulação integrada da Ouvidoria da SDH/PR, dos Centros de Referência da SDH/PR, da Coordenação Geral de Promoção dos Direitos de LGBT, do CNCD/LGBT e dos atores locais para enfrentar essas práticas homofóbicas envolvendo os serviços de atendimento, proteção, defesa e responsabilização em Direitos Humanos disponíveis nos âmbitos municipais, estaduais e federal.
Brasília, 15 de fevereiro de 2012
- Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais
- Coordenação-Geral de Promoção dos Direitos da População LGBT da SDH/PR

São Paulo lidera denúncias de agressão contra gays, diz estudo Dados do Disque 100 revelam que, em 39,2% das ocorrências, vítimas são agredidas por desconhecidos

BRASÍLIA - Desconhecidos e vizinhos são os que mais praticam violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), dentre os casos denunciados ao Disque 100, o Disque Direitos Humanos. A central de atendimento do governo federal foi criada para registrar abusos contra crianças e adolescentes, mas, desde o início do ano, expandiu o serviço para outros grupos, como a população LGBT.

Levantamento da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) - ao qual o Estado teve acesso e que será divulgado na segunda-feira - aponta que, em 39,2% dos episódios de violação relatados contra a população LGBT, o agressor foi um desconhecido; em 22,9%, vizinhos; e em 10,1%, os próprios amigos.

De janeiro a julho, o Disque 100 recebeu 630 denúncias contra a população LGBT. As vítimas concentram-se na faixa etária de 19 a 24 anos (43%) e de 25 a 30 anos (20%).

Os casos mais comuns de violência contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais são os de violência psicológica (44,38%), como ameaça, hostilização e humilhação, e de discriminação (30,55%).

Das vítimas, 83,6% são homossexuais, 10,1%, bissexuais e 4,2%, heterossexuais que sofrem algum tipo de violência ao ser confundidos como gays.

No recorte feito por Estado, São Paulo (18,41%), Bahia (10%), Piauí (8,73%) e Minas Gerais (8,57%) lideram as denúncias - o Rio de Janeiro aparece com apenas 6,03% - por já contar com um serviço semelhante oferecido pelo governo estadual.

"Isso demonstra que a violência de caráter homofóbico tem um forte componente cultural, é a mais difícil de ser enfrentada porque é justamente a que não fica comprovada por marcas no corpo", disse ao Estado a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Baixo índice. Do total de denúncias recebidas diariamente pelo Disque 100, as que dizem respeito à população LGBT não ultrapassam 1% - um dos motivos do baixo número seria o fato de o módulo de atendimento específico ainda ser pouco conhecido. "Esses números não refletem a realidade do Brasil, que é ainda pior", afirma Maria do Rosário.

Para o ouvidor Domingos da Silveira, da SDH, os dados do levantamento são reveladores. "Mostram a capilaridade da homofobia, ela vem do interior, das capitais", diz. "Ela está disseminada e se tornou banal."

Resolução. Os casos denunciados ao Disque 100 são ouvidos por uma equipe de teleatendimento e posteriormente encaminhados a órgãos competentes, como o Ministério Público, a Defensoria Pública da União e centros de referência ligados à comunidade LGBT espalhados por todo o País.

Em alguns casos, a própria Secretaria de Direitos Humanos intervém na resolução do conflito.

Foi o que ocorreu com um casal de lésbicas, que denunciou o fato de uma das companheiras não ter conseguido incluir a outra no plano de saúde. Após um ofício da SDH ter sido encaminhado ao hospital em contato com o casal, o caso teve uma resolução.

O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, é enfático na defesa dos direitos da população LGBT.

ABGLT

Associação Brasileira de Lésbicas, Gays,
Bissexuais, Travestis e Transexuais – e organizações
aliadas repudiam os cortes homofóbicos na campanha de
prevenção de aids do Governo Federal
No dia 02 de fevereiro, no Rio de Janeiro, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha,
lançou a campanha de prevenção à Aids do Carnaval 2012. Segundo informações do
Ministério, a campanha seria direcionada, prioritariamente, para jovens gays,
continuando o tema da campanha do Dia Mundial de Combate à Aids de 2011.
Tal iniciativa se justifica pelos elevados índices de infecção por HIV encontrados em
jovens gays, de 15 a 24 anos. O Boletim Epidemiológico sobre a Aids, lançado no dia
28 de novembro de 2011, mostra que a epidemia tem crescido nessa população nos
últimos anos. De 1998 a 2010, o percentual de casos na população heterossexual de 15 a
24 anos caiu 20,1%. Entre os gays da mesma faixa etária, no entanto, houve aumento de
10,1% (Fonte: Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde).
É importante observar que a Lei 8080/90 estabelece que os dados epidemiológicos
devem ser utilizados pelo SUS - Sistema Único de Saúde “para o estabelecimento de
prioridades, a alocação de recursos e a orientação programática” (conforme Art. 7º,
inciso VIII).
Segundo relatório do Programa das Nações Unidas sobre HIV e Aids - UNAIDS
(2006), a epidemia e a resposta a ela mostraram uma relação direta entre a proteção da
saúde e a proteção dos direitos humanos ou, inversamente, entre piores índices de saúde
e violação dos direitos humanos. Nesse sentido, podemos entender como o cenário da
homofobia no Brasil, apontado por diversas pesquisas ao longo dos últimos anos, tem
estruturado a maior vulnerabilidade de jovens gays à epidemia de HIV/Aids.
Diversas diretrizes do UNAIDS apontam para necessidade de responder à epidemia de
HIV com base nos dados epidemiológicos (direcionando as ações para as populações
sob maior risco de infecção), entre elas pode-se citar o documento “Chegando a Zero:
Estratégia para 2011 a 2015”, que faz as seguintes considerações, entre várias:
Programas de prevenção também permanecem inaceitavelmente deficientes
para as pessoas sob maior risco de infecção, como as pessoas que usam drogas
injetáveis, homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e profissionais do
sexo femininos, masculinos e trans e seus clientes (p. 35, grifos nossos).
Não se pode mais negar que há normas sociais, sexuais e de gênero que são
prejudicais e impulsionam a vulnerabilidade: a exclusão social de determinados
grupos; a recusa em admitir a existência dos homens que fazem sexo com
homens (p. 36, grifos nossos). 
Ainda em junho de 2011, os Países-Membros das Nações Unidas, inclusive o Brasil,
que foi aplaudido na ocasião, renovaram seus compromissos com o enfrentamento da
epidemia, por meio de uma nova Declaração Política sobre HIV/Aids, que estabelece o
ano de 2015 como prazo para a redução da transmissão sexual do HIV em 50 por cento
(item 62). Também é pertinente a seguinte observação contida na Declaração:
29. Observamos que muitas estratégias nacionais de prevenção do HIV têm
enfoque inadequado em populações que segundo as evidências epidemiológicas
estão sob maior risco, especificamente os homens que fazem sexo com homens...
(grifos nossos).
O Programa Brasileiro de Aids já foi considerado referência para o mundo, por ter se
pautado pelo enfoque na promoção dos direitos humanos e na priorização das
populações mais vulneráveis e mais afetadas pela infecção pelo HIV.
Hoje o Governo Federal responde ao crescimento alarmante do número de casos de
homofobia com corte de recursos financeiros para as políticas da área. Os comitês e
grupos de trabalho vêm sendo desmobilizados e pouco aproveitados. Os canais de
interlocução existentes mostram-se ineficientes e improdutivos.
Nesse cenário, o Ministério da Saúde lançou, no dia 02 de fevereiro, a campanha de
prevenção à Aids do Carnaval 2012. Press release enviado pelo Ministério informou que
todo o material da campanha foi apresentado na ocasião. O mesmo foi divulgado dias
antes, no site do próprio Departamento http://www.Aids.gov.br/pagina/2012/50791. A
campanha, conforme divulgado, foi aprovada pela Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República (SECOM).
Entre as peças, três vídeos, com jovens gays, travestis e heterossexuais,
respectivamente, fizeram parte dos materiais divulgados na ocasião. Em seguida, os
vídeos foram retirados do ar. Também foram retirados da relação de materiais da
campanha disponível no site do Departamento Nacional de DST, Aids e Hepatites
Virais. Após diversos questionamentos, inclusive através do Ofício nº 018/2012 da
ABGLT, o Ministério da Saúde informou que os vídeos foram retirados para edição e
que seriam disponibilizados depois.
Posteriormente, em nova informação que contradizia o informe divulgado em 02 de
fevereiro, o Ministério informou que os vídeos apresentados no lançamento da
campanha não foram produzidos para divulgação em TV aberta, e que outro material
seria produzido com essa finalidade. Esse novo vídeo seria apresentado no dia 12 de
fevereiro.
O novo vídeo, já alvo de diversas críticas, traz dois jovens atores, um homem e uma
mulher, informando dados estatísticos. Esse novo material prova que as políticas de
saúde pública também se tornaram alvo da higienização moralista que vem ganhando
espaço no Governo Federal, que se acovarda perante os ataques do fundamentalismo
religioso que ameaçam diuturnamente a laicidade como princípio básico do Estado
brasileiro. Organizações fundamentalistas se reivindicam como responsáveis pela
retirada e pela substituição do material da campanha.
Diante desses fatos, o Governo optou por apresentar contradições ou silenciar-se. Tais
atitudes são constantes em governos antidemocráticos, que não respeitam a sociedade
nem a construção coletiva das políticas públicas. Omitir informações, negar e silenciar
são práticas de governos conservadores, que não têm compromisso com os movimentos
sociais.
A presidenta Dilma não recebe o Movimento LGBT, mas já recebeu duas vezes a
bancada fundamentalista. Relembramos a afirmação que fez no discurso da posse: “Não
haverá de minha parte e do meu governo discriminação, privilégios ou compadrio”.
Não queremos privilégios ou cargos. Queremos políticas publicas baseadas na
Constituição Federal, que diz que todos e todas são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, assim como fez o Supremo Tribunal Federal, no dia 5 de maio de
2011, ao reconhecer a igualdade de direitos.
Se a campanha foi elaborada pelo Ministério da Saúde e aprovada pela SECOM, o que
fez o Ministério da Saúde retirá-la do ar e elaborar novos materiais? Segundo o jornal
Folha de São Paulo, em edição de 14 de fevereiro, o veto partiu da presidência da
república.
A Presidenta Dilma Rousseff não veio a público se explicar sobre o caso.
O Ministério da Saúde não divulgou quem foi o responsável pela modificação da
campanha e pelo veto ao material anterior.
A lealdade do Governo Federal com os religiosos fundamentalistas já havia levado levou ao veto dos materiais didáticos-pedagógicos do Projeto Escola sem Homofobia.
Na ocasião, o veto ao material foi utilizado para barganhar a blindagem do Ministro
Antônio Palocci. Quem está sendo blindado agora? Trata-se de novo acordo da
Presidência da República com a bancada fundamentalista no Congresso Nacional?
Desde então há um silêncio por parte das autoridades competentes.
Até hoje o material ainda não foi liberado, em nenhum formato. Pela liberação imediata
dos materiais para combater a homofobia que assola nossas escolas!
É urgente que as diretrizes para o combate à homofobia discutidas na II Conferência
Nacional LGBT que ocorreu em dezembro de 2011 saiam do papel. Para isso, além de
recursos orçamentários será necessária vontade política e empenho do Governo Federal.
Se a interferência das bancadas fundamentalistas religiosas se mantiver, será impossível
avançar nas políticas públicas de promoção dos direitos LGBT.
Juntamo-nos aos diversos movimentos que questionam o tipo de governabilidade
escolhido por esse governo. Que tipo de governo se pauta pela troca dos direitos de
segmentos de sua população pelo apoio de fundamentalistas religiosos? Quantas
lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais brasileiros precisam morrer
vitimizados pela homofobia e pela aids para esse Governo entender que governar com a
religião fere direitos constitucionais e a laicidade do Estado, além de elevar a violência
contra populações vulnerabilizadas.
A maioria das lideranças do movimento LGBT organizado votou e trabalhou para a
eleição da presidenta Dilma Rousseff, pela continuidade das políticas implementadas no
governo Lula. Infelizmente, até agora, a expectativa de avanços tem sido frustrada.
A ABGLT, Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e
Transexuais, expressa seu repúdio à homofobia institucional que vem se manifestando
em determinadas ações do Governo Federal e convoca todas as entidades de direitos
humanos, suas instituições afiliadas, organizadoras das mais de 200 Paradas do Orgulho
LGBT a combater a homofobia no Brasil.
A ABGLT tomará as medidas necessárias para denunciar a influência do
fundamentalismo religioso junto ao Governo Brasileiro. Recorreremos ao Ministério
Público Federal, à Organização dos Estados Americanos e à Organização das Nações
Unidas, principalmente o Conselho de Direitos Humanos, bem como outros organismos
internacionais.
A ABGLT pede também para se manifestarem formalmente: o Conselho Nacional de
Saúde; o Conselho Nacional LGBT; a Sociedade Brasileira de Infectologia; a Sociedade
Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis; a Comissão da Diversidade do
Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; o Conselho Federal de
Psicologia; o Conselho Federal de Serviço Social; a Frente Parlamentar Mista pela
Cidadania LGBT; a Frente Parlamentar Nacional em HIV/Aids; entre outros atores e
atrizes do movimento social brasileiro. Desde já convidamos todos e todas para participarem da III Marcha Contra Homofobia,
em Brasília no dia 16 de maio, com o lema “Homofobia tem cura: educação e
criminalização”, na frente do Ministério da Saúde, do Ministério da Educação e do
Palácio do Planalto.
Como já disse um ex-ministro da saúde, “O Ministério da Saúde deve cuidar do corpo, e
as Religiões da alma”.
14 de fevereiro de 2012
Assinam as 257 organizações afiliadas (lista baixo) da ABGLT - Associação
Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LÉSBICAS, GAYS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E
TRANSEXUAIS
Categoria: Organizações Associadas
Associação de Homossexuais do Acre - Rio Branco - AC
Sohmos Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de Arapiraca - AL
Grupo de Gays, Lésbicas da Cidade de Delmiro Gouveia – GLAD - Delmiro Gouveia -
AL
Afinidades – GLSTAL – Maceió - AL
Associação de Homossexuais de Complexo Benedito Bentes – AHCBB – Maceió - AL
Associação de Jovens GLBTs de Alagoas – ARTJOVEM – Maceió - AL
Filhos do Axé – Maceió - AL
Grupo Gay de Alagoas – Maceió - AL
Grupo Gay de Maceió - AL
Pró-Vida – LGBT – Maceió - AL
Grupo Enfrentar – Viçosa - AL
Grupo Direito à Vida - AL
MGLTM - Movimento de Gays, Lésbicas e Transgêneros de Manacapuru - AM
Associação Amazonense de GLT – Manaus - AM
Associação das Travestis do Amazonas – ATRAAM – Manaus - AM
Associação Homossexual do Estado do Amazonas – Manaus - AM
Associação Orquídeas GLBT – Manaus - AM
Grupo Ghata - Grupo das Homossexuais Thildes do Amapá – Macapá - AP
Organização Homossexual Geral de Alagoinhas – OHGA – Alagoinhas - BA
Grupo Gay de Camaçari – Camaçari - BA
Fund e Assoc de Ação Social e DH GLBT de Canavieiras e Região – Canavieiras - BA
Grupo Gay de Dias D'Ávila - BA
Grupo Liberdade, Igualdade e Cidadania Homossexual – GLICH - Feira de Santana -
BA
Transfêmea - Feira de Santana - BA
Eros – Grupo de Apoio e Luta pela Livre Orientação Sexual do Sul da Bahia – Ilhéus -
BA
Grupo Humanus – Itabuna - BA
Grupo Gay de Lauro de Freitas - Lauro de Freitas - BA
Associação da Parada do Orgulho LGBT de Mata de São João – GRITTE - Mata de São
João - BA
Movimento de Articulação Homossexual de Paulo Afonso - Paulo Afonso - BA
Grupo Fênix - Movimento em Defesa da Cidadania LGBT de Pojuca - BA
Associação Beco das Cores - Educação, Cultura e Cidadania LGBT (ABC-LGBT) –
Salvador - BA
Associação das Travestis de Salvador – ATRÁS – Salvador - BA
Associação de Defesa e Proteção dos Direitos de Homossexuais - PRO HOMO –
Salvador - BA
Grupo Felipa de Sousa - Salvador - BA
Grupo Gay da Bahia – Salvador - BA
Grupo Homossexual da Periferia – Salvador - BA
Grupo Licoria Ilione – Salvador - BA
Quimbanda Dudu – Salvador - BA
Grupo de Resistência Flor de Mandacaru – Caucaia - CE
Associação de Travestis do Ceará – ATRAC – Fortaleza - CE
Grupo de Resistência Asa Branca – GRAB – Fortaleza - CE
Movimento Arco-Iris da Sociedade Horizontina – MAISH – Horizonte - CE
GALOSC – Grupo de Apoio à Livre Orientação Sexual do Cariri - Juazeiro do Norte -
CE
Grupo de Amor e Prevenção pela Vida - GAP - Pela Vida – Maracanaú - CE
Ações Cidadãs em Orientação Sexual – Brasília - DF
Estruturação – Grupo d Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Trans de Brasília - DF
ELOS - Grupo de Lésbicas, Gays, Travestis e Trans. do Dist. Federal e Entorno –
Sobradinho - DF
GOLD - Grupo Ogulho Liberdade e Dignidade – Colatina - ES
Associação Gabrielense de Apoio à Homossexualidade – AGAH - São Gabriel da Palha
- ES
Associação das Travestis do Espírito Santo – ASTRAES - São Mateus - ES
AGTLA - Associação de Gays, Transgêneros e Lésbicas de Anápolis – Anápolis - GO
Sociedade Oasis – Anápolis - GO
AGLST-RAQ - Associação de Gays, Lésbicas e Transgêneros da Região Águas
Quentes - Caldas Novas - GO
MCDH-CAT – Movimento por Cidadania e Direitos Humanos LGBT de Catalão/GO e
Região - GO
Associação Desportiva de Gays, Lésbicas, Travestis e Transgêneros de Goiás – Goiânia
- GO
Associação Goiana de Gays, Lésbicas e Transgêneros – AGLT – Goiânia - GO
Associação Ipê Rosa –Goiânia - GO
ASTRAL-GO – Goiânia - GO
Fórum de Transexuais do Goiás – Goiânia - GO
Grupo Eles por Eles – Goiânia - GO
Grupo Lésbico de Goiás – Goiânia - GO
Grupo Oxumaré- Direitos Humanos Negritude e Homossexualidade – Goiânia - GO
Associação Jataiense de Direitos Humanos - Nova Mente – Jataí – GO
ACDHRio – Associação por Cidadania e Direitos Humanos LGBT de Rio Verde/GO e
Região - GO
Grupo Flor de Bacaba – Bacabal - MA
Associação Gay de Imperatriz e Região – Imperatriz - MA
GAPDST - Grupo de Apoio e Prevenção – Imperatriz - MA
Grupo Passo Livre - Paço do Lumiar - MA
Grupo Solidário Lilás - São José de Ribamar - MA
Grupo Expressão - São Luis - MA
Grupo Gayvota - São Luis - MA
Grupo Lema - São Luis - MA
Organização dos Direito e Cidadania de Homossexuais do Estado do Maranhão - São
Luis - MA
Movimento Gay e Alfenas e Região Sul de Minas – Alfenas - MG
Movimento Gay de Barbacena – MGB – Barbacena - MG
ALEM - Associação Lésbica de Minas - Belo Horizonte - MG
Associação de Transexuais e Travestis de Belo Horizonte – ASSTRAV - Belo
Horizonte - MG
Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual – CELLOS - Belo Horizonte - MG
Instituto Horizontes da Paz - Belo Horizonte – MG
Libertos Comunicação - Belo Horizonte – MG
Movimento Gay de Betim - MG
Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Contagem- CELLOS – Contagem - MG
MGD - Movimento Gay de Divinópolis – Divinópolis - MG
MGS - Movimento Gay e Simpatizantes do Vale do Aço – Ipatinga - MG
GALDIUM - Grupo de Apoio Luta e Defesa dos Interesses das Minorias – Itaúna - MG
MGM - Movimento Gay de Minas - Juiz de Fora - MG
MGG - Movimento Gay dos Gerais - Montes Claros - MG
Movimento Gay de Nanuque – MGN – Nanuque - MG
Movimento Gay da Região das Vertentes – MGRV - São João Del Rei - MG
Shama - Associação Homossexual de Ajuda Mútua – Uberlândia - MG
MOOCAH - MG
Associação das Travestis e Transexuais do Mato Grosso do Sul - Campo Grande - MS
Grupo Iguais - Campo Grande - MS
Movimento de Emancipação Sexual, Cidadania, Liberdade e Ativismo do MS - Campo
Grande - MS
MESCLA - MS
Associação de Gays, Lésbicas e Travestis de Cáceres – Cáceres - MT
GRADELOS - Grupo Afro-descendente de Livre Orientação Sexual – Cuiabá - MT
Grupo Livre-Mente – Cuiabá - MT
LIBLES - Associação de Direitos Humanos e Sexualidade Liberdade Lésbica – Cuiabá -
MT
Associação GLS- Vida Ativa – Rondonópolis - MT
Associação das Travestis do Mato Grosso – ASTRAMT - Várzea Grande - MT
APOLO - Grupo Pela Livre Orientação Sexual – Belém - PA
Cidadania, Orgulho e Respeito – COR – Belém - PA
Grupo Homossexual do Pará – Belém - PA
Movimento Homossexual de Belém – Belém - PA
Associação LGBT de Tucuruí - PA
LesbiPará - PA
Associação dos Homossexuais de Campina Grande, Estado da Paraíba - AHCG/PB -
Campina Grande - PB
Gayrreiros do Vale do Paraíba – GVP – Itabaiana - PB
Associação das Travestis da Paraíba – ASTRAPA - João Pessoa - PB
Movimento do Espírito Lilás – MEL - João Pessoa - PB
TABIRAH - Associação de Homossexuais, Lésbicas, Travestis... – Tabira - PE
Grupo Homossexual do Cabo - Cabo Santo Agostinho - PE
Articulação e Movimento Homossexual de Recife – AMHOR – Jaboatão - PE
SHUDO - Associação de Articulação de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos –
Olinda - PE
Grupo Gay de Pernambuco – Recife - PE
Movimento Gay Leões do Norte – Recife - PE
Satyricon- Grupo de Apoio e Defesa da Orientação Sexual – Recife - PE
Atos de Cidadania - São Lourenço da Mata - PE
Grupo Unificado de Apoio à Diversidade Sexual de Parnaíba – O GUARÁ – Parnaíba -
PI
Associação de Travestis do Piauí – ATRAPI – Teresina - PI
GGLOS LGBT - PI
Grupo Expressões - direitos humanos, cultura e cidadania – Cascavel - PR
Associação Paranaense da Parada da Diversidade – APPAD – Curitiba - PR
Dom da Terra – Curitiba - PR
Grupo Dignidade – Curitiba - PR
Grupo Esperança – Curitiba - PR
Inpar 28 de Junho- Instituto Paranaense 28 de Junho – Curitiba - PR
Transgrupo Marcela Prado – Curitiba - PR
Grupo Renascer - Ponta Grossa - PR
Grupo União pela Vida – Umuarama - PR
Grupo Arraial Free - Araial do Cabo - RJ
Grupo Triângulo Rosa - Belford Roxo - RJ
Grupo Cabo Free de Conscientização Homossexual - Cabo Frio - RJ
Grupo Iguais - Conscientização Contra o Preconceito - Cabo Frio - RJ

SER HOMOSSEXUAL E AS DIFICULDADES

Como contar pra minha família que sou Gay?



A homofobia é penetrante demais para ser banida da nossa consciência com facilidade, sejamos homossexuais ou heterossexuais. Enquanto houver homofobia na nossa sociedade, qualquer homossexual e qualquer pai ou mãe ou irmão ou amigo de um homossexual terá alguns medos e preocupações bastante legítimos e reais.A orientação sexual homossexual não é limitada a um tipo particular de pessoa. Homossexuais pertencem a todas as idades, classes sociais, culturais, raças, religiões e nacionalidades. Trabalham em todas as profissões. Moram em todos os lugares do país. São bilhões de pessoas e estão em toda parte.Muitos cientistas acreditam que a Orientação Sexual seja moldada, na maioria das pessoas, nos primeiros anos de vida, através de complexas interações de fatores biológicos, psicológicos e sociais, variando de uma cultura para outra.Cientistas descartam os fatores hormonais, genéticos ou congênitos, além de experiências vivenciais durante a infância. Estas interpretações e teorias científicas eram baseadas em medos, tabus e preconceitos.Para a maioria das pessoas, a orientação sexual emerge no início da adolescência, antes mesmo de qualquer experiência sexual. Algumas pessoas relatam ter tentado, durante muitos anos, mudar a sua orientação sexual de homossexual para heterossexual, sem sucesso.A orientação sexual não é uma escolha. Por estas razões, os psicólogos não consideram que, para a maioria das pessoas, a orientação sexual seja uma escolha consciente, que possa ser voluntariamente mudada. Por isso, não se deve falar em “opção” ou “escolha sexual”, mas em “orientação sexual”.O preconceito pelo homossexual baseia-se em esteriótipos preconcebidos, na ignorância ou em fundamentações religiosas homofóbicas.Os esteriótipos nascem da ignorância e do preconceito.As pessoas geralmente temem aquilo que não entendem, e odeiam aquilo que temem. Esta é a base do preconceito e, quando este preconceito é direcionado aos homossexuais, é chamado de “homofobia”.Aprender o máximo que for possível sobre homossexualidade e ajudar a trazer esta discursão mais à tona em nossa sociedade é uma forma de apoiar o homossexual (o qual pode ser aquele que está bem próximo a você e você nem perceba: seu pai, sua mãe ou um de seus irmãos ou um amigo seu etc.). É o mascaramento da homossexualidade e o complô do silêncio que permitem que o preconceito e a discriminação sobrevivam.Orientação Sexual é diferente de comportamento sexual, porque Orientação Sexual se refere a sentimentos e auto-identificação.A Orientação Sexual é um componente da sexualidade humana complexo, indo além do comportamento sexual. A Orientação Sexual engloba sentimentos sexuais, sentimentos românticos, sentimentos emocionais, identidade social e identidade de gênero.Nossa sociedade tem uma “pré-suposição heterossexual”. Nós somos educados – pela nossa família, pelas escolas, pelas religiões e pela imprensa – a achar que todo mundo é heterossexual, e nós somos freqüentemente influenciados a discriminar aqueles que não são. Esta “pré-suposição” somente agora começa a mudar.Devido a esta “pré-suposição” e preconceito, muitas pessoas não começam a entender sua Orientação Sexual até chegarem à adolescência ou mesmo à idade adulta – e isso pode ser muito confuso.Não é fácil uma pessoa descobrir se ela mesma é homossexual. O preconceito que existe na nossa sociedade pode fazer com que a própria pessoa queira esconder o que sente, até mesmo de si própria. E isso pode fazer com que a pessoa se sinta isolada e completamente sozinha.Ninguém sabe exatamente de que forma é determinada a Orientação Sexual humana: por que alguns preferem o mesmo sexo, o oposto ou os dois. Muitos cientistas acham que é uma questão genética, biológica ou psicológica: a Orientação Sexual de uma pessoa pode ser estabelecida antes do nascimento ou nos primeiros anos da infância.Ser homossexual não é apenas natural: é tão saudável quanto ser heterossexual.Não há motivo de se interrogar por que uma pessoa é homossexual. Simplesmente, algumas pessoas são homossexuais e algumas pessoas são heterossexuais, da mesma forma como algumas pessoas têm olhos azuis e outras têm olhos castanhos. Não é algo que uma pessoa pode escolher ser ou não ser. É simplesmente mais uma parte do que a pessoa é.
Fonte(s):
• Orientação Sexual e Homossexualidade. Texto original em inglês: S.J. Blommer, PFLAG/Denever – American Psychological Association. Adaptação: Marcelo Cerqueira. Salvador – BA – Fevereiro/2001.• Kimeta Society, UNESCO.• “Seja Você Mesmo”. Texto original: “Be Yourself”, PFLAG, Federation Parents of Lesbians anda Gays, Washington, 1995). Tradução: Inês Alfano/Adaptação: Marcelo Cerqueira. Maio/1996.• Ministério da Saúde – Governo Federal do Brasil.• “Nossos Filhos e Filhas”. Tradução de Inês Alfano. Adaptação de Marcelo Ferreira. Título original: “Our Daughters and Sons”. Parents of Lesbians and Gays. Washington, 1994.

10 casamentos gay de sonho


Um casamento gay pode ser um casamento sem preconceitos, cheio de sonho e romance, de acordo com a personalidade de cada casal. Seja um casamento de tom mais clássico, seja o surgir dos detalhes mais propícios à cor, à decoração do espaço, às roupas, em nada se poupa o carinho com que se pode fazer e celebrar um casamento. Ficam aqui algumas imagens de inspiração de alguns casamentos gay cheios de amor e imaginação.









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