Este Blog foi escrito para o Público LGBT de todas as idades que estão a pensar em assumir-se. Nós sabemos que tomar a decisão de se assumir pode ser assustadora e desgastante. É por estas razões e devido ao nosso trabalho na área de homossexuais que fizemos este Blog. Acreditamos que informação útil e as experiências de outras pessoas em assumirem-se podem preparar-te para algumas das consequências que podem resultar de te assumires perante a família e amigos. Blog que reúne as principais notícias sobre o público Gls Glbt Lgbt (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). Tem por objetivo manter tal comunidade informada, para que usufruam de seus direitos, comemorem suas conquistas e lutem pela diminuição do preconceito. Deixe seu recado, mande suas fotos e videos poste no nosso blog Faça parte você também Participem deste blog, Mail sociedadelgbt@hotmail.com

sábado, 2 de junho de 2012

BATE PAPO COM YASMIN ANDRADE

Qual sua cidade Natal?
Fortaleza - CE

Faça uma pequena apresentação da Yasmin Andrade.
Yasmin Andrade, complicada e perfeitinha, cheias de sonhos, mas não iludida rsrs, certa do que quero corro sempre atras de meus objetivos. Me considero uma pessoa amiga, sincera ... É isso, somos suspeita de falarmos de nós mesmo rsrs

Como surgio a escolha do seu nome?
Yasmin é um nome que sempre achei lindo, feminino sei lá rs ... Vem da Flor Jasmin!

Com quantos anos você começou a se tornar essa bela T-Gata?
com 16 anos dei os primeiros passos, queria ter começado bem antes, mas minha mãe não aceitava dificultando, mas aos 16 fui começando com ajuda de uma amiga, que hoje a tenho como irmã ...

Como foi o período de Transição?
Começei tomando hormônio, a primeira diferença que vi foi ver  os biquinhos dos seios crescendo, eu ficava olhando, pegando, viajava ja me sentindo mulher rs, depois começei a deixar crescer meus cabelos, tirar a sombracela, fazer as coisas de mulheres e tudo isso foi um choque pra minha mãe rsrs

Você acha que o fator família foi algo que dificultou você a realizar essa mudança?
No começo sim, foi muito dificil pra minha mãe, e pra mim tambem, porque a gente fica dividida, entre ser feliz seguindo o que somos ou finger ser o que eles sonharam. Mas hoje graças a Deus, minha mãe me aceita, não guardo rancor por tudo que passei, pelo contrario, cada dia que se passa eu a amo mais, hoje somos muito amigas e ela tem prazer de me chamar de filha, e me mostrar pra suas amigas rsrs.

Que lições você ganhou de experiência e que conselhos daria pra quem está querendo se tornar uma trans?
Isso é dificil de falar viu, cada uma vive uma experiencia diferente, dar conselhos é meio que complicado. O que posso dizer é que cada uma tem que o merece, não que as coisas tenha sido fácil pra mim, mas graças a Deus tive muitas oportunidade, conheci pessoas que tentaram me derrubar, mas conheci pessoas boas que fizeram e fazem de tudo pra me erguer, aprendi muito, aprendi a dar valor familia, pois é tudo que temos de mais precioso nessa vida, que muitos precisa perder pra dar valor, aprendi a dar valor muitas coisa que julgava não ser importantes ...Mas enfim, somos eternas crianças nesse mundo de aprizagem, onde voce pensa que sabe tudo, e enfim, somos indefesos, e estamos sempre precisando um do outro!

Você sofre muito preconceito no nosso País?
Não! Acho que você deve primeiro se respeitar pra ter respeito de alguem, sempre tem uma piadinha na rua de alguem sem educação, mas não considero isso bem umm preconceito, uma mulher GOSTOSA vai ouvir tb alguma piadinha de algum homem ou até mesmo de outra mulher, é saber se vestir, saber se comportar, como minha mae fala, saber sair saber chegar rsrs. Nao sofro preconceito não!

E na europa, o que você achou do comportamento das pessoas para com as Tgirls?
As pessoas tem o mesmo pensamentos dos brasileiros, diferença que eles sabem respeitar, são mais discreto, enfim são pessoas mais educadas!

Em qual cidade Européia você têve melhor estadia?
Em Malaga posso te dizer que me senti em casa, onde conheci pessoas maravilhosa que me deram muito apoio, que hoje as relembro com muito carinho. Mas em Bergamo e Milano na Italia foi onde ganhei mais dinheiro rsrs

Qual sua Formação escolar?
Ensino medio completo!

Recentemente eu lí um artigo falando sobre uma escola na Argentina especializada em atender a população travesti e transexual. você acha válido ou seria uma atitude descriminatória?
Acho que isso nao era pra existir, somos pessoas normais, pra que se excluir se isolar e tornamos cada vez mais marginal, vão criar também uma escola para deficientes? negros? obesos? São pessoas que nem toda sociedade aceita mais temos que conviver e respeitar!
sua opinião vai ao encontro do pensamento de Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). Ele acredita que travestis e transexuais educados em escolas especiais serão criados numa bolha, e não vão estar preparados para se reintegrar na sociedade.
Minha Opinão particular é que a intenção do autor do projeto foi acabar com o abandono escolar por parte das Trans motivadas pelo preconceito de outros alunos, no entanto, eu também penso como vocês, pois o que devemos fazer é acabar com o preconceito e não fugir dele. e o que vai acontecer com a construção dessa escola é uma espécie de "empurrar com a barriga".

Ultimamente você notou mudanças políticas que melhorem a dignidade das transexuais em nosso país? comente.
Mudou sim, vemos varias travesti e transexuais, ocupando cargos jamais aceito antes pela sociedade, Lea T por exemplo uma pessoa que a admiro muito, inteligente e bonita uma das maiores modelos do mundo, dentres outros exemplos, tipo mudança de nome, aos poucos estamos sendo mais aceita, uma dia vamos vencer e ter o dia internacional das travesti e transexuais como tem o dias das mulheres kkkkkkkkkkkkkk

Você já tem em mente um projeto de seguir uma nova carreira profissional?
Carreira profissional AINDA nao! Mas penso de investir bem meu dinheiro, sem que eu precise ser acompanhante do sexo pra sempre, pra que eu nao dependa, mas um dia vou amadurecer essa ideia sim, mas agora nao tenho nada em mente.

E o que você tem a falar sobre a profissão de acompanhante. o que é mais difícil. quais as vantagens?
Nossa rsrsrs, fez agora um ano que começei essa "brincadeira" ... O que posso falar é que, uma pessoa que tiver cabeça e souber aproveitar é vantajoso, dinheiro rapido e nao facil, chega uma hora que voce se sente mal, pricinpalmente se voce estiver algum relacionamento amoroso rsrs, mas tambem chega a ser divertido e prazeroso rsrsrs...

Quais clientes são os mais agradáveis?
Clientes que se cuida, que sao educados, que saiba respeitar meus limites! Que tenha uma boa convessa e deixe acontecer tudo naturalmente sem pressao. Que paga bem, ou que nao penchica rsrrsrs é broxante isso ....

A maioria de seus clientes são passivos, ou ativos ou Versáteis?
Versateis. Todos meus clientes passivo tb querem me comer rsrs, e todos meus clientes ativo me chupa pega e brinca rsrs

Alguma cliente já te chamou pra jantar ou almoçar depois do programa?  Se sim, você aceitou?
Sim, em São Paulo nunca aceitei, na Italia aceitei de um cliente, que depois nos tornamos namorados e hoje somos grandes amigos. Mas melhor mesmo não se envolver tanto ...

Qual suas posiões sexuais preferidas, como passiva e como ativa?
Como passiva de 4, onde sinto melhor, desde ele entrando ate quando bate là no final e volta rsrs adoro sentir ele colando pressão, e adoro quem me soca forte, o mais forte que poder kkkk... Como ativa adoro começar ele deitado de burço, depois de 4 e ver ele gozando de frango rsrs

você tem alguma fantasia sexual ainda não realizada?
Não sou muito de fantasias, não gosto de imaginar nada, gosto que tudo aconteça, do mais normal ate os prazeres mais absurdos, prefiro descobrir junto com o parceiro ... Mas tenho vontade de transar no iate em alto mar, nao fiz ainda, mas nao penso que isso seja fantasia e sim desejo sei là rsrsrs

se você conhecesse alguém interessante e se essa pessoal quisesse assumir um relacionamento sério?
Eu tenho primeiro de tudo que gostar, sentir grande carinho, nao sò desejo sexual, ou finaceiro... O resto é consequencia, se eu gostar e ele quizer namoro sim rsrs

Mas com a condição de você abandonar sua profissão, você toparia?
Depende, hoje nao! Mas no futuro SIM, eu ja ter conquistado pelo menos a metade das coisas que quero, e se eu amar de verdade SIM!

Deixe uma mensagem para os usuários do blog Acompanhantes Trans.
Olà meus amores rsrs, deixar um beijinho especial pra vcs, que voces tenha sempre respeito, carinho por nos trans, e nao sò desejo sexual, pois vamos muito alem disso, temos nossos valores como pessoa tambem :) Continue acompanhando o blog, e é isso ... rsrsrs
Beijossssssssssssss

sexta-feira, 1 de junho de 2012

15 anos de uma Parada viva e que ainda cresce Em todos esses anos a Parada refletiu e proporcionou o debate sobre as principais demandas da população LGBT. Seu caráter de celebração ao Orgulho tem servido para a valorização da autoestima e afirmação da identidade legítima de todos que a compõe.

28 de junho de 1997 foi um sábado chuvoso em São Paulo, mas o típico clima da terra da garoa e a apática rotina dos que obrigatoriamente circulam todos os dias na Avenida Paulista nunca mais seriam os mesmos. Posteriormente, aquela tarde peculiar entraria para a história do Brasil e do movimento social mundial, com a realização da primeira Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.

Na ocasião, 2 mil pessoas se reuniram para protestar contra a marginalização e repressão a que constantemente eram submetidas. O gueto era pequeno, já não era o bastante, então foi preciso ocupar a principal via pública do país para dizer que “Somos muitos, e estamos em todas as profissões”. Visibilidade era a palavra de ordem.

Hoje é possível arriscar que essa realidade está mais próxima. Não apenas nas profissões, mas estamos nas universidades, nos jornais, nas vitrines, nas telenovelas e nas redes sociais. Não somos apenas 2 mil, somos mais de 3 milhões que se multiplicam nas quase 200 Paradas que acontecem em todo o território nacional.

Ao chegar à sua 15ª edição, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo acumula muito além do título conferido desde 2004 pelo Livro Guinness dos Recordes, de “maior Gay Pride Parade do mundo”. Ela é a maior manifestação social registrada na história do Brasil e reconhecida como uma das principais ferramentas de promoção dos direitos humanos no planeta.

Fruto da organização e diálogo do movimento, em todos esses anos a Parada refletiu e proporcionou o debate sobre as principais demandas da população LGBT. Seu caráter de celebração ao Orgulho tem servido para a valorização da autoestima e afirmação da identidade legítima de todos que a compõe.

Em 15 anos, na medida em que a Parada crescia, avançaram também o número de conquistas. A alegria daquela gente sofrida tem amolecido o coração de nossos governantes, que mostram progresso no poder Executivo e Judiciário para a inserção da diversidade e o combate à discriminação, na busca de uma sociedade cada vez mais igualitária. É a prova de que nosso protesto, particular na maneira em que se decorre, tem surtido o efeito esperado. O foco agora é o Legislativo.

Por outro lado, não temos apenas o que comemorar. A força das nossas conquistas tem gerado a retaliação por parte daqueles que, nesse passado bem recente, nos mantinham à margem e à repressão. Os algozes, antes sorrateiros, agora vão para a TV, saem às ruas e também se manifestam, sustentando anualmente a marca da nação que mais assassina LGBT em todo o globo.

A Parada está crescida, mas a jornada ainda é longa. Eis a importância de que a preservação e a ampliação de seu legado sejam encargo de cada indivíduo responsável por sua formação. Com seus 15 anos, a Parada é viva e é de todos.

Manifesto da 16ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo O preconceito fere a vítima, mas, acima de tudo, excluiu do agressor sua principal virtude: a humanidade.

O Brasil está doente. Todas e todos nós, que nascemos e vivemos neste solo, estamos vulneráveis. A homofobia é um vício social que atinge e corrompe a cidadania. Ninguém está imune.

A nossa luta não é nova. Os números da discriminação estão estampados em jornais por todo o território nacional e já não há dúvida sobre a histórica condição de opressão a que lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais estão submetidos.

266 LGBT assassinados em 2011, uma morte a cada 33 horas, um novo recorde para o país. Esses dados subnotificados não são a novidade.

A mensagem que trazemos hoje é que, apesar do ódio se respaldar na diferença, a homofobia é um mal que atinge a todos, sem distinção.

No último dia 15 de julho, pai e filho que se abraçavam durante um evento na cidade de São João da Boa Vista, interior de São Paulo, foram barbaramente agredidos. O pai, de 48 anos, teve metade de sua orelha decepada. Antes do ato de violência, os agressores perguntaram: “Vocês são gays?”, sem que a resposta fizesse diferença.

Será esse o respeito pela família do qual os fundamentalistas tanto falam?

Em 02 de novembro, um ilustrador francês, que estava a negócios em São Paulo, teve um osso da face fraturado ao ser espancando com um soco-inglês, enquanto simplesmente andava pela Rua Augusta. O turista, heterossexual, naquele momento sofria o azar de ter sido confundido com um homossexual.

Esta é a igualdade na qual estamos amparados pelo artigo 5º da nossa Constituição Federal e que ainda nos garante a inviolabilidade do direito à liberdade e segurança?

Os exemplos nos alertam para uma realidade alarmante. Em pouco tempo, vivenciaremos a instauração de uma ordem em que toda a afetividade será castigada. Cada um será responsável por monitorar o seu próximo e, na dúvida, execute a repressão com suas próprias mãos.

Meus amigos, eu vos pergunto: essa é sociedade que queremos?

O movimento LGBT brasileiro é unânime ao pedir prioridade na aprovação do Projeto de Lei da Câmara 122 em sua totalidade, para que a homofobia seja combatida no momento de sua ação, tipificando o crime e identificando os que a praticam. Não aceitamos negociar a atenuação da pena, pois estamos cansados de contar aqueles que perdemos a cada ano. Assim, queremos o PLC 122 abrangente aprovado!

Mas neste ano, ampliamos a reivindicação. Recentemente, de forma leviana, parlamentares conservadores e lideranças religiosas propagaram mentiras sobre o Projeto Escola Sem Homofobia, também chamado, ao bel-prazer da mídia, ora de “kit gay”, ora de “kit anti-homofobia”.

Assistimos a esses senhores, que se auto intitulam “servos do Senhor” ou “defensores da moral”, enganarem a população descaradamente, fazendo com que profissionais da imprensa e, até mesmo, membros do poder executivo, fossem usados como massa de manobra.

Disseram e continuam a reiterar que o material seria entregue para crianças do ensino fundamental a fim de induzir a homossexualidade, o que é um grande absurdo. Alguém aqui teve ou conhece alguém que tenha a formação de sua orientação sexual induzida?

Fazemos questão de esclarecer que o os kits servem exclusivamente para a capacitação de professores do ensino médio, com o objetivo de prepará-los para lidar com a diversidade e promover o respeito entre os alunos.

A escola vem sendo omissa quanto ao seu principal papel, que é a formação da cidadania e senso de justiça. O ambiente escolar deve ser um espaço inclusivo, de vanguarda, que quebre paradigmas e seja ponto de reflexão sobre novas concepções morais.

O momento é de escolha. E a nossa é pela formação de novas gerações que acolham as diferenças e vivam sob a ótica da equidade. Queremos uma escola sem homofobia, já!

Convocamos a toda a população para ocupar conosco o nosso já tradicional espaço de grito, símbolo do progresso e cosmopolitismo dessa cidade: a Avenida Paulista.

Não abriremos mão de celebrar o Orgulho que nos move, de exercer livremente nossas identidades, de não mascarar nossos afetos e de, principalmente, resistir à opressão diária daqueles que insistem em amputar nossa dignidade em vão.

Festejamos porque nós, brasileiras e brasileiros LGBT, não temos motivos para nos envergonhar. Aqueles que discriminam, esses sim, carregam consigo o peso em seus travesseiros.

O preconceito fere a vítima, mas, acima de tudo, excluiu do agressor sua principal virtude: a humanidade. A homofobia tem cura, é a educação e a criminalização!


O documento foi lido pelo presidente da APOGLBT, Fernando Quaresma, durante a entrevista coletiva de apresentação do 16º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo, no dia 22 de maio de 2012.

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