Este Blog foi escrito para o Público LGBT de todas as idades que estão a pensar em assumir-se. Nós sabemos que tomar a decisão de se assumir pode ser assustadora e desgastante. É por estas razões e devido ao nosso trabalho na área de homossexuais que fizemos este Blog. Acreditamos que informação útil e as experiências de outras pessoas em assumirem-se podem preparar-te para algumas das consequências que podem resultar de te assumires perante a família e amigos. Blog que reúne as principais notícias sobre o público Gls Glbt Lgbt (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). Tem por objetivo manter tal comunidade informada, para que usufruam de seus direitos, comemorem suas conquistas e lutem pela diminuição do preconceito. Deixe seu recado, mande suas fotos e videos poste no nosso blog Faça parte você também Participem deste blog, Mail sociedadelgbt@hotmail.com

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Comercial 'Todo mundo é gay' ganha destaque mundial

Comercial do Mix Brasil: campanha "Todo mundo é gay" foi destaque em site internacional de propaganda

São Paulo - A campanha "Todo mundo é gay", criada para o Festival Mix Brasil desse ano, foi destaque no "Best Ads on TV", site que publica comerciais de todo o mundo e que tenham se destacado.
Ele apareceu na categoria "Best TV of the week".
O vídeo, da agência Neogama/BBH, mostra que o ódio ainda impera na sociedade e que o preconceito de gênero já beira o absurdo.
O comercial mostra com toques de humor e sátira como a nossa sociedade vê o que "é gay" e o que "não é gay".
No final, conclui que "todo mundo é gay".
Confira o vídeo:

Aluna de 9 anos escreve carta de apoio a professor após ele sair do armário "Vou sempre tratá-lo da mesma forma como faço agora", escreveu a garota.

Uma aluna de 9 anos resolveu encorajar seu professor, após ele contar que é homossexual para a turma de alunos. Ele expôs sua sexualidade durante uma lição sobre bullying e homofobia.
O fato foi divulgado pelo site europeu "PinkNews", dedicado ao universo LGBT. A matéria não especifica o colégio e a cidade onde o caso aconteceu, assim como não revela as identidades do professor e da aluna. Entretanto, a carta foi publicada na íntegra. O texto diz:

"Caro Sr. R

Mesmo que você seja gay, vou sempre tratá-lo da mesma forma como faço agora.

Continuo pensando em você da mesma forma que antes. Você é um grande professor e estas são apenas algumas das palavras que usaria para descrever você: ótimo, incrível, fantástico, brilhante, impressionante e corajoso.

A razão pela qual digo corajoso é porque você compartilhou um segredo pessoal que foi muito corajoso.

Você não tem que se sentir com medo, porque sei que todo mundo na classe pensa da mesma maneira que eu."

O professor contou ao site que, por atuar em escola primária, sempre se preocupou em mencionar sua sexualidade, apesar de seus colegas de profissão falarem sobre maridos, esposas e outras pessoas importantes o tempo todo.

"Como parte da semana anti-bullying, perguntei quem já tinha ouvido o termo 'gay' sendo usado como insulto. Quase todos da minha classe levantaram as mãos. Fiquei atordoado", disse.

Na sequência, ele perguntou quem achava que gays ou lésbicas estão, de alguma forma, agindo errado. Quase todos levantaram as mãos novamente.

O professor, então, conversou com seu chefe, que concordou que falasse sobre sua sexualidade para a turma. A intenção, era mostrar aos aluns que ele é gay e que, ao usarem o referido termo, estariam falando dele.

"A reação foi fantástica - havia um monte de suspiros e olhares chocados e algumas questões básicas - como 'você tem um namorado'. Mas, depois de alguns minutos, eles já haviam superado isso e prosseguimos com aula."

A carta veio alguns dias mais tarde, deixando o professor emocionado.

"Levei algum tempo até me recompor. Quando agradeci, ela apenas deu de ombros e repetiu para um dos garotos da turma o que havia dito durante a aula: 'É apenas a vida dele'. Em seguida, ela voltou para seus exercício de matemática", relatou o professor ao site.

O professor afirma que não houve julgamento, apenas aceitação.

"Agora, posso mencionar meu noivo tão facilmente como qualquer outro professor, e minha classe me conhecer um pouco melhor. Recebi um monte de cartas e cartões ao longo dos anos, mas esta vou guardar para sempre", concluiu.

'Nos vêem como inimigos', diz casal lésbico que driblou lei para se casar na Rússia Casamento com Alyona só foi possível porque documentos de Irina ainda a têm como homem; elas dizem que ataques homofóbicos aumentaram com nova lei.

Grupos de direitos para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais na Rússia dizem que houve um aumento no número de agressões homofóbicas e ataques desde que uma nova lei transformou em crime a disseminação de "propaganda gay".
Os defensores da lei insistem que estão protegendo o que chamam de valores tradicionais russos. Mas ativistas dizem que muitos LGBTs estão com medo até mesmo de andar de mãos dadas em público.

Na Rússia, o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é permitido, mas o casamento de Irina Shumilova e Alyona Fursova no mês passado em São Petersburgo - ambas de véu e grinalda - virou uma polemica.

Um político chamou o casamento de "nojento" e pediu para que procuradores o anulassem. A união foi legalmente possível porque os documentos oficiais de Irina ainda a têm como um homem - ela nasceu como homem e se submeterá a uma operação para readequação sexual.

O casal pretende lutar para que o casamento seja mantido. Segundo elas, a homofobia piorou desde que a lei foi implementada e a população vê a comunidade LGBT como um "inimigo interno".


Agência quer fim da proibição que impede gays de doar sangue Impedimento foi estabelecido em 1983, quando se sabia muito pouco sobre a transmissão da Aids.

A Administração de Alimentos e Remédios dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) propôs nesta terça-feira o fim proibição que impede gays, bissexuais masculinos, travestis e transexuais de doar sangue desde 1983.
A FDA estabeleceu essa proibição naquele ano, quando a epidemia de Aids estava começando e se sabia muito pouco sobre a transmissão da doença.

Em comunicado emitido hoje, a agência governamental explicou que "examinou cuidadosamente e considerou a evidência científica" antes de recomendar esta mudança.

Por isso, a FDA acrescentou que "tomará as medidas necessárias para recomendar uma mudança" que permita homens que não tenham tido relações sexuais com outro homem no período de um ano desde o último contato a doar sangue.

Por sua vez, seguirão sujeitos à proibição os homens que tenham tido um parceiro sexual masculino durante o último ano.

A agência pretende emitir a argumentação na qual recomenda a mudança em 2015 e se abrirá também um período para comentários públicos a respeito.

O Instituto Williams da Universidade da Califórnia calcula que a mudança poderia gerar um aumento de entre 2% e 4% nas reservas de sangue dos EUA. 

México oferece 'paraíso' para turistas LGBT e aposta no Brasil Turismo LGBT movimenta 30% mais dinheiro que o do segmento heterossexual.

A crescente oferta turística, a possibilidade de ter um casamento simbólico e um ambiente sem discriminação transformaram o litoral dos Estados mexicanos de Jalisco e Nayarit em um paraíso para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais de toda parte do mundo.
A faixa de praias que vai desde Puerto Vallarta, em Jalisco, até San Blas, em Nayarit, é o principal destino turístico para LGBTs que vêm de países como Estados Unidos e Canadá e, de maneira crescente, de Europa e América do Sul, segundo revistas especializadas neste segmento.

 Richard Zarkin, porta-voz do Escritório de Visitantes e Convenções da Riviera Nayarit, disse que essa agência privada aposta na comunidade LGBT de países como Brasil, Argentina e Chile, e no aumento do número de americanos e canadenses, considerados um mercado cativo.
Zarkin disse que esse tipo de turismo movimenta 30% mais dinheiro que o do segmento heterossexual e pode crescer anualmente até 11% mais.

Em Nuevo Vallarta, Punta Mita, Sayulita e San Francisco (Nayarit), dois hotéis oferecem bodas simbólicas e pacotes de lua de mel para pessoas do mesmo sexo. Outros dois têm certificado "Out Now", dado a estabelecimentos com profissionais capacitados para prestar atendimento integral ao mercado LGBT, segundo a empresa australiana de marketing neste segmento "Out Now Global".

Oferecer bodas simbólicas foi um fator para atrair casais do mesmo sexo. Essas cerimônias se baseiam em "unir não corpos, mas almas, e a alma não tem sexo", segundo Enrique Alejos, criador do conceito e quem organizou quatro bodas deste tipo nos últimos dois anos.

Essas cerimônias têm origem em um ritual pré-hispânico em que o casal "se une em nível espiritual mediante os quatro elementos" frente aos amigos e à família.

Todos os anos, durante duas semanas, chegam a Nuevo Vallarta os cruzeiros "Atlantis" e "Olivia", exclusivos para turistas LGBTs, muitos deles empresários dos Estados Unidos e do Canadá que buscam um lugar para se divertir.

O canadense Charles, que vai à região todos os anos, escolheu este destino por não precisar se preocupar com "o que os outros dirão".

"Os turistas chegam cada vez mais e gostam da tranquilidade da cidade. Não há discriminação de nenhum tipo. Inclusive muitos vêm em lua de mel", disse Marcelo Couto, gerente de um hotel na pequena praia de San Francisco.

Puerto Vallarta também desenvolveu uma ampla oferta para o turismo LGBT na praia de Los Muertos, conhecida como a "zona romântica" ao sul da cidade.

Pelo menos 12 hotéis são "gay friendly", sendo um exclusivo para este segmento. Além disso, diversos bares, restaurantes, lojas de artesanato e roupas, negócios de massagens e passeios turísticos estão focados na comunidade LGBT.

O americano Matthew Torten visita Puerto Vallarta há 12 anos. Desta vez, tirou férias para fugir do inverno dos EUA e comemorar os 50 anos de seu casal.

"Sempre nos sentimos confortáveis. Não somos pessoas de problemas e aqui somos respeitados. É uma praia limpa, divertida, e as pessoas que nos atendem sempre são amáveis", disse, enquanto tomava sol.

Dono do estabelecimento hoteleiro para turismo LGBT mais conhecido de Vallarta, que tem cerca de 40 anos, Fidencio Cuevas afirmou que o número destes visitantes aumentou 60% na região nos últimos 10 anos, em grande parte pelo tratamento que recebem.

Segundo ele, os habitantes já estão acostumados a atender a comunidade LGBT. Muitos estrangeiros decidiram se estabelecer na região e montar seus próprios negócios, fatores que colaboraram para tornar Vallarta um destino LGBT.

Irmãos dizem ter sido agredidos por seguranças em boate LGBT no Rio Rodrigo e Rogério Rocha afirmam que agressão ocorreu dentro de boate. Com hematomas no rosto, ambos foram encaminhados para exame.

Com hematomas no rosto, os irmãos gêmeos Rogério e Rodrigo Rocha estiveram na manhã deste domingo (4) na 5ª DP (Gomes Freire) para denunciar que teriam sido agredidos por seguranças de uma boate LGBT no Centro do Rio. A confusão teria acontecido no sábado (3).
 Segundo a Polícia Civil, o caso foi registrado como lesão corporal e as investigações estão em andamento para apurar o fato. As vítimas foram encaminhadas para exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML). Ainda segundo a polícia, diligências estão sendo realizadas em busca de imagens de câmeras de segurança para identificar os supostos autores da agressão.
De acordo com as vítimas, as agressões teriam acontecido durante a madrugada, dentro do Scala Rio, na Avenida 13 de maio, no Centro do Rio, onde ocorre todos os sábados a Pipper Club, uma festa para o público LGBT.

Na próxima semana, segundo policiais da 5ª DP, serão intimados a prestar depoimento o dono da boate e os seguranças para que deem sua versão do caso.

DVD americano de filme inglês “apaga” referências sobre personagens LGBT Anteriormente, censores americanos foram acusados de homofobia.

O lançamento do filme inglês Pride em DVD chega trazendo polêmicas a bordo. O longa ganhou a Queer Palm (prêmio para o melhor filme de temática LGBT do Festival de Cannes) em 2014, narrando a história real de um grupo de ativistas LGBT que se envolveu com as greves e protestos dos mineradores ingleses durante as rebeliões de 1984 e 85.
O filme foi lançado em DVD no mercado britânico, e a contracapa trazia um texto dizendo “um grupo de ativistas gays e lésbicas sediado em Londres…” Já a versão americana do DVD suprimiu a referência gay. E o texto ficou: “um grupo de ativistas sediado em Londres”.

O site Pink News notou a diferença e noticiou o fato. Segundo o site Digital Spy, essa alteração na capa do DVD pode ser mais uma atitude de censura por parte dos EUA.

Anteriormente, censores americanos foram acusados de homofobia depois que classificaram Pride como um filme “R” – não indicado para pessoas menores de 17 anos, a não ser que estejam acompanhadas por um adulto.


Após retirar os seios, Thammy Miranda aparece em foto com a namorada

Andressa publicou no Instagram a foto de um selinho que deu em Thammy.
 Thammy Miranda está recebendo os mimos da namorada, Andressa Ferreira. Na noite de Natal, nesta quarta-feira (25), as namoradas ficaram juntinhas e tiraram fotos românticas, as primeiras que mostram o rosto de Thammy após a cirurgia de retirada dos seios.

Andressa publicou no Instagram a foto de um selinho que deu em Thammy. Elas ainda fazem um coração com as mãos. Na foto não é possível ver o corpo da atriz, já que ela está segurando pelúcias no colo. 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Professor do DF ganha 45 dias de licença 10 meses após adotar 4 filhos Ele obteve mesmo direito dado a mães; licença de pais é de apenas 5 dias. Casal não precisou ir à Justiça; meninos de 2, 4, 6 e 8 anos são irmãos.

Um professor do curso de enfermagem da Universidade de Brasília (UnB) conseguiu, após dez meses de espera, o direito a licença-adotante de 45 dias para os quatro filhos, todos irmãos, que adotou com o marido no final de 2013. O benefício, que por lei é de cinco dias para pais e de 45 dias para mães, foi o primeiro a ser concedido a um homem servidor público federal sem que houvesse a necessidade de se acionar a Justiça. A decisão saiu no final de outubro.
Juntos há quase 30 anos, Carlos Eduardo Santos, de 54 anos, e o aposentado Osmir Messora Júnior, de 53, iniciaram o longo processo de adoção há dez anos, quando ainda viviam em São Paulo. À época, a relação do casal não era reconhecida pelo Estado e, por isso, Messora tentou sozinho entrar para o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), uma ferramenta que reúne dados das varas de infância e da juventude de todo o país. O processo, no entanto, não teve final feliz: mesmo já sendo chamado de “pai” pela criança que pretendia adotar, ele teve o direito à paternidade negado pela Justiça.

 Quando o casal se mudou para Brasília, há dois anos, precisou enfrentar novamente o longo trâmite burocrático para ser aprovado para o CNA: processo de visitas e entrevistas com assistentes sociais e psicólogos, pesquisa socioeconômica do casal e até um curso preparatório.
Em dezembro, dez minutos após entrarem oficialmente para o cadastro nacional, o casal recebeu a ligação pela qual esperou por dez anos.

O primeiro contato de Messora e Santos com os meninos de 3, 5 e 7 anos foi por telefone. Eles viviam em Pernambuco e estavam havia dois anos no abrigo, após serem tomados dos pais pelo Estado por negligência.

Quando partiram para Caruaru para conhecer as crianças, foram surpreendidos com a notícia de que as crianças tinham um irmão recém-nascido.

Com a chegada dos três irmãos, o professor universitário teve direito a cinco dias de licença para passar com os filhos. “Tive que voltar ao trabalho e as crianças ficaram basicamente com o Osmir. Tentamos minimizar o problema, mas ficamos um tempo numa situação difícil”, lembra o professor. “Naquela época eu era coordenador do curso, ficava muito tempo na faculdade e eles ficavam juntos comigo, chegaram a me acompanhar em reuniões. A gente dava lápis de cera, bolacha, banana, e dizia: ‘Vamos fazer um piquenique hoje’ e juntos eles se distraíam.”

A concessão da licença para as crianças levou mais do que o casal imaginava. “O processo ficou dois meses circulando dentro da UnB, um mês dentro do MEC [Ministério da Educação] e depois foi para o Ministério do Planejamento, que também deu parecer favorável.”

Quando finalmente buscou Vinicius, em maio deste ano, o professor conseguiu tirar férias de 45 dias. “Senti a grande diferença e a necessidade de todas as pessoas que adotam de terem esse espaço com a criança, porque minha relação com ele foi totalmente diferente dos demais, por ter mais proximidade e por ter criado um vínculo mais rápido”, conta Santos. “Esse tempo foi fundamental.”

Passado quase um ano da adoção, os pais dizem que nem se lembram mais como era viver sem as crianças. Atualmente, a família vive em um espaçoso apartamento na Colina da UnB, na Asa Norte. Os meninos dormem em beliches no mesmo quarto, decorado com imagens temáticas de super-heróis. As crianças frequentam a escola, fazem aulinhas de futebol e aos poucos vão conhecendo novos alimentos, já que no abrigo alimentavam-se apenas de arroz, feijão e carne.

Adoção no DF
Pais que pretendem adotar crianças esperam até um ano e meio para conseguir vagas no curso de habilitação, que é a primeira etapa da adoção. De acordo com a Vara da Infância e da Juventude, faltam profissionais e estrutura para realizar os cursos. São apenas dez psicólogos e três assistentes sociais para preparar as cerca de 150 famílias que já deram entrada no processo de adoção. São 2,3 milhões de habitantes para uma única vara da infância cível, segundo o órgão.

Fotógrafo de Nova York registra em Brasília imagens e histórias de gays Kevin Truong retrata como gays saíram do armário. Objetivo é abrir espaço para LGBTs de diferentes culturas se expressarem.

Nascido em um campo de refugiados da Malásia, filho de um “coiote” que viabilizava travessias marítimas de vietnamitas que desejavam deixar o país, o fotógrafo Kevin Truong enfrentou uma série de dificuldades ao longo de seus 32 anos de vida. De família católica, não foi fácil se assumir gay. Mas foram essas experiências pessoais que inspiraram o projeto que nasceu como trabalho de
faculdade e acabou ganhando o mundo, o blog “The Gay Men Project” (O projeto sobre homens gays, em tradução livre).
Kevin fotografa homens de todo o mundo e publica, no blog, um relato de cada um deles sobre como descobriram que são homossexuais. Depois de fotografar 500 pessoas em 11 países, o fotógrafo radicado em Nova York chegou na última quinta-feira (13) a Brasília para registrar a história de gays da capital do Brasil.

A finalidade do projeto, segundo ele, é fornecer aos homossexuais um espaço para compartilhar suas histórias e sentimentos. O blog é ainda um canal para que as pessoas compreendam melhor a vida de quem decidiu assumir, para si mesmo e para todos, que é gay. “O preconceito é normalmente baseado no desconhecimento. É muito mais fácil dizer: ‘sou contra o casamento gay' do que dizer ‘sou contra a possibilidade de o Kevin se casar’. Com o blog, damos rosto, personalizamos a questão dos gays”, afirmou Kevin, em entrevista.

A ideia de criar o “The Gay Men Project” surgiu há cinco anos, depois de um trabalho na faculdade de fotografia que cursava em Nova York. Na época, Kevin fotografou jovens gays por quatro meses e, ao expor as fotos na sala de aula, percebeu que os colegas não queriam apenas ver as imagens, mas também
conhecer a história desses homens.
“A partir daí decidi criar o blog e abrir espaço para que os homens fotografados pudessem contar suas experiências como homossexuais, principalmente o momento em que ‘saíram do armário’”, disse. No ano passado, ele conseguiu US$ 30 mil em doações pela internet para
viajar pelo mundo e retratar a realidade de gays de todos os continentes.
 Uma das primeiras paradas, em outubro do ano passado, foi o Brasil. Kevin fotografou em São Paulo e no Rio de Janeiro homens de todas as idades e condições sociais, inclusive nas favelas do país. Na ocasião, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) topou participar do projeto e foi fotografado por Kevin no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
Neste ano, ele decidiu voltar ao Brasil e dedicar uma semana de trabalho a Brasília. “É curioso como o Brasil pode aparentar ser aberto e festivo em vários aspectos, mas muitos gays me disseram não se sentir plenamente à vontade em sair de mãos dadas ou se assumir no trabalho. Pelo que percebi, a luta pelos direitos LGBTs ainda está no início, ainda há vários desafios a serem enfrentados. E isso também estimula meu trabalho”, disse Kevin.

O fotógrafo afirmou ter achado a comunidade LGBT de Brasília “acolhedora”, na comparação com a experiência que teve no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nos cinco dias que passou em Brasília até agora fotografou dez homens, entre advogados, chefs de cozinha e estudantes. “Pelo que conversei até agora com as pessoas, a comunidade LGBT é mais aberta aqui, pelo menos na região central. E a cidade é muito interessante, moderna, com uma boa diversidade cultural”, disse.

Outros países
Depois da capital, Kevin embarca para a França, África do Sul, Quênia, Coreia do Sul e Dubai. Em Dubai e no Quênia é proibido ser gay. “Vou tirar fotos de um homem homossexual em Dubai que não vai mostrar o rosto. Serei discreto nesses países e espero não ter problemas”, disse.

Segundo Kevin, o maior desafio até hoje foi tirar fotos no Vietnam, país de seus pais. Lá as tradições fazem da homossexualidade um tabu. “Os vietnamitas também são extremamente reservados. É um povo com dificuldade para ser abrir.”
Apesar das diferenças culturais e religiosas em cada país que visitou, Kevin observa uma semelhança nas histórias dos gays que conheceu pelo mundo – a dificuldade no processo de descoberta da homossexualidade.
“O que há de semelhante é a experiência, o processo de se assumir gay. Você reconhece ter uma singularidade que já é percebida pelas demais crianças. Então, você assume essa diferença, o fato de ser gay e não heterossexual. Depois disso, ainda há um processo de aceitar esse fato para si mesmo. Por último, existe o momento de decidir se vai dividir isso com os outros, com a família e a sociedade”, relata o fotógrafo.

Experiência pessoal
A própria experiência de Kevin é um exemplo claro das dificuldades que muitos jovens enfrentam ao decidir se querem ou não compartilhar o fato de assumir sua orientação sexual. Ele relata que não foi fácil se abrir para a família, o que só aconteceu quando tinha mais de 20 anos.

Kevin foi criado pela mãe e as irmãs depois que a família fugiu do Vietnam em um pequeno barco. Na travessia de 12 dias entre o Vietnam e a Malásia, ele estava na barriga da mãe. Nasceu oito meses depois na Malásia.

Com vistos obtidos por uma tia que era casada com um soldado norte-americano, Kevin e a família embarcaram para os Estados Unidos. Lá, frequentou escolas públicas e conseguiu uma bolsa para estudar fotografia em uma renomada universidade de Nova York.

Desde criança percebia que tinha interesses diferentes da maioria dos meninos e sofria bullying. Por crescer seguindo preceitos católicos, se sentia culpado por sentir atração por outros garotos. “Eu rezava e pedia perdão todos os dias”, conta.

Foi somente quando tinha entre 19 e 20 anos que assumiu para si mesmo que era gay. “Um dia eu estava andando de carro, olhei no espaço e disse: ‘Eu sou gay’. Foi o primeiro passo para aceitar o fato de ser homossexual”, disse. Mas a orientação sexual continuou sendo um segredo.
 “Um dia uma das minhas irmãs perguntou se eu era gay e eu respondi que sim. Ela reagiu com muita naturalidade. Então, contei para a outra irmã, que também aceitou bem. Percebi que passei anos travando um diálogo interno e doloroso, vivenciando um conflito sozinho, quando era muito mais simples se abrir”, contou. Mas contar para a mãe foi um processo mais difícil.
“Quando eu contei ela ficou triste, se culpou pelo fato de eu ser gay. Pesou o fato de ela ser muito católica. Ficamos dois anos sem tocar no assunto.” Segundo Kevin, a criação do blog permitiu que sua mãe compreendesse melhor o que é ser gay.

“Ela me acompanhou na viagem ao Vietnam e traduzia os diálogos com os homens gays que eu fotografei. Foi conhecendo o meu trabalho e a história desses homens homossexuais que ela mudou a forma de enxergar o fato de eu ser gay”, disse.

Assim como conseguiu sensibilizar a mãe, Kevin espera que o blog ajude a reduzir o preconceito contra os homossexuais. “Com o blog, eu consegui mudar a visão da minha mãe. Se eu puder sensibilizar uma pessoa, para que entenda melhor o que é ser gay, esse projeto já terá valido a pena.”

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