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sábado, 2 de maio de 2015

Forbes lista Lea T como uma das mulheres mais importantes na história da moda italiana




A modelo Lea T aparece em uma lista da revista americana Forbes e ocupa uma das 12 posições entre as mulheres responsáveis por mudar a moda italiana. Nascida no Brasil, Lea é filha do ex-jogador de futebol Toninho Cerezo e foi a primeira modelo transgênero do mundo a aparecer em uma grande campanha.

Ela começou a cavar seu espaço no mundo fashion em 2010 ao estampar uma campanha da Givenchy, grife dirigida pelo estilista e seu amigo pessoal Ricardo Tisci. Lea T também foi a primeira modelo transexual a ser entrevistada por Oprah Winfrey. Aliás, não uma, mas esteve duas vezes no programa da apresentadora mais famosa dos Estados Unidos. No ano passado, ela assinou contrato para ser embaixadora global da Redken e, mais uma vez, tornou-se a primeira modelo transgênero do mundo a ocupar este posto em uma campanha de beleza.
 "Foi uma surpresa quando me avisaram que estava nesta lista. Nunca imaginaria que pudesse estar ao lado de nomes tão importantes e que admiro, como Miuccia Prada, Franca Sozzani, Eva Cavalli e Karla Otto", revela Lea direto de Milão, onde mora.

A modelo nasceu em Belo Horizonte, capital mineira, em 1981, mas vive em Milão, na Itália, desde a adolescência, quando mudou-se para a Europa para estudar.

Aparecem na lista também Franca Sozzani, Patrizia Wassermann, Miuccia Prada, Emanuela Schmeidler, Carla Sozzani, Eva Cavalli, Noona Smith-Petersen, Anna Dello Russo, Gaia Trussardi, Silvia Venturini Fendi, Karla Otto.




Transexuais falam sobre preconceito, desinformação e entraves burocráticos

Para a medicina, o transexual tem uma doença chamada disforia de identidade de gênero. O processo jurídico para alteração do documento de identidade pode demorar de seis meses a um ano

Uma moça meiga e uma mulher quase feita. Um sorriso tímido, bochechas rosadas e uma ruivice que chama a atenção. Anna Valentina Lobato, de 22 anos, é macapaense, mas se sente em casa no apartamento onde vive, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. “Sou tecnicamente perturbada”, afirma ela, debochando. A afirmativa se refere à Classificação Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados à Saúde (CID), com a qual Anna se sente frustrada. “Como transexual, para a medicina tenho uma doença: disforia de identidade de gênero”. Mas a biologia pouco importa para ela. As vezes em que a sua feminilidade foi colocada em pauta, ela não hesitou em se afirmar como uma mulher genuína. “Sou uma mulher de verdade. Fico questionando como é ser uma mulher de mentira. Isso não existe”. Quem é capaz de discordar dela?

Anna Valentina tem a mesma estirpe da mineira Lea T., a top model transexual que ficou famosa mundialmente em 2010 ao estampar a capa da revista francesa Vogue. Nas redes sociais, Anna faz pose, divulgando sua beleza inquestionável, além de militar a favor das transexuais e travestis. “Tenho me politizado mais, buscando a legitimidade da classe”, declara. Ela conta que para se sentir confortável com a exposição, um processo árduo de autoconhecimento foi precedido. Tudo começou com a moda da calça skinny: tratou de comprar logo um par delas, acompanhado de alguns itens de maquiagem. Aos 18 anos, quando cursava o curso de design de produto e gráfico, ainda em Macapá (AP), Anna deixou o cabelo crescer até a altura do maxilar, em um dos primeiros atos de manifestação visual. “Na faculdade a maioria das pessoas me tratava no feminino, com exceção dos professores. Vi como má vontade. Meu nome é Anna Valentina”.

A moça chegou em Belo Horizonte em janeiro de 2013 em busca de independência dos pais, quando tinha 20 anos. A faceta feminina estava mais evidente: o cabelo, tingido de loiro-platinado, estava abaixo dos ombros, e o batom vermelho era como seu melhor amigo quando combinado a peças de roupas retrô. E Anna buscava seu lugar na sociedade de forma retraída, passando despercebida diante dos olhares preconceituosos. “As pessoas dificilmente desconfiam que sou transexual. Por um lado, quando você se impõe, tudo flui tranquilo e as coisas se tornam naturais. Mas por outro, se eu simplesmente me fundir às outras mulheres, como vou buscar meus direitos como mulher trans? Quero que todas possam conviver em sociedade sem o risco de ser linchadas”, questiona ela, que está aguardando o procedimento para alteração do nome no registro civil.

JUSTIÇA LENTA

O processo jurídico para alteração do documento de identidade pode demorar de seis meses a um ano. “É preciso fazer várias comprovações de que você é você”, expõe a moça. Anna já apresentou a documentação necessária na Defensoria Pública de Belo Horizonte para a troca oficial do nome, e acredita que este é um dos passos mais importantes para a sua legitimidade como mulher.

O universitário mineiro Raul Avlis, de 22, também busca autenticidade. Embora já tenha extrapolado a maioridade, ele evita frequentar lugares onde seja obrigado a apresentar a carteira de identidade. Da última vez em que isso aconteceu, quase foi barrado no baile de formatura do ensino médio. Se ser jovem significa finalmente atingir a idade certa para se jogar nas baladas, tirar carteira de motorista, entrar na universidade e assistir a filmes antes proibidos, nada disso é possível para o rapaz. No grande dia do baile de formatura, Raul se arrumou todo para a festa, com a melhor camisa e calça social. Na portaria, entretanto, o segurança não queria autorizar sua entrada. Ao conferir o RG, estranhou ver a foto de uma mulher ao lado do nome feminino de batismo. “O guarda olhava para mim, depois checava o RG. Tornava a me olhar e conferia a carteira. Por fim, começou a questionar se eu era eu mesmo”, conta ele, que prevendo possíveis constrangimentos, chegou a cogitar se ausentar da própria formatura.

Os transexuais se definem como pessoas que nasceram com a mente masculina no corpo de uma mulher, ou vice-versa. A proporção reconhecida pelos estudiosos seria de 1/20 mil pessoas do gênero masculino para feminino (MtF, expressão que vem do inglês male to female), que significa “de homem para mulher”. Em menor número estão casos como o de Raul, 1/50 mil, que vão do feminino para o masculino. “Desde cedo sempre tive esse jeito mais moleque. Aos 4 anos, parei de usar vestidos e ficava jogando bola com os meninos”, conta o jovem, que nasceu em uma pequena cidade do interior mineiro e se assumiu como transhomem ao se mudar para BH, há dois anos.

Por falta de recursos financeiros, Raul ainda não se submeteu a tratamentos com hormônios para adquirir características ainda mais masculinas, tais como abdômen mais largo e pelos no rosto. Sua voz engrossou naturalmente e o jeito de andar é bem viril. No entanto, nem mesmo as tatuagens fortes, o estilo largado de vestir e o piercing no lóbulo da orelha esquerda passam o recado desejado. Ele ainda enfrenta contratempos no cotidiano. Comprar roupas tornou-se sinônimo de sofrimento. “Nas lojas de departamentos, as vendedoras sempre me levam para a ala feminina. Com calma, explico que quero ir para a seção masculina, mas outro dia uma senhora me indicou uma blusa rosa, cheia de decote e babados. Não sei o que ela pensou. Talvez estivesse querendo me salvar, levar para o bom caminho”, ironiza, sem disfarçar a tristeza.

Refém da boa vontade

A maior luta de Raul Avlis tem sido ser reconhecido como homem no curso de história da PUC Minas, onde se matriculou este ano. Ele é o segundo transexual a tentar ser chamado pelo nome social no Instituto de Ciências Humanas, no câmpus Coração Eucarístico, Região Noroeste de BH. O primeiro pedido partiu da transmulher Rita Elizabeth, que, desde 2013, tenta ter o nome social reconhecido na chamada, provas e trabalhos, ainda sem resultado. No caso dela, toda vez que entra um novo professor no curso Rita entrega uma carta em mãos explicando a sua condição. “Se acontecer de não me chamarem pelo nome social, ignoro a chamada e depois da aula converso com o professor. Fico refém da boa vontade e da memória de cada um, pois meu verdadeiro nome não está escrito nos documentos da universidade”, afirma. Há 15 dias, a ouvidoria da PUC respondeu à solicitação de Raul. “Se fosse da minha vontade usar o nome social, o coordenador do curso marcaria uma reunião com todos os professores, mas dependeria de cada um deles aceitar ou não”, diz o estudante. Segundo Carla Ferretti Santiago, diretora do Instituto de Ciências Humanas, não há restrição de parte da universidade em relação à aceitação de alunos transgêneros. Diante da solicitação de dois alunos para que o nome social apareça na lista de chamada, o assunto foi levado à análise da reitoria. “Não se pode adulterar aleatoriamente a lista de chamada, que serve como um documento para o aluno, do ponto de vista jurídico”, explica Carla. Segundo a diretora, algumas universidades públicas estão resolvendo o impasse colocando o nome social entre parênteses na chamada. A reportagem do Estado de Minas tentou conversar com os responsáveis pelas relações estudantis e assessoria de imprensa da PUC Minas, mas não obteve retorno.

Diante das dificuldades da PUC em lidar com a questão, Raul tomou a liberdade de conversar com cada um dos professores. Dos sete, conseguiu até agora falar em particular com cinco e teve apenas uma recusa parcial. “Uma das professoras me trata super bem em sala de aula, mas disse que iria fazer a chamada usando a primeira sílaba do nome que consta no meu registro. Ela disse que isso seria o máximo que poderia ser feito para não me constranger”, diz. Digamos que o nome de registro de Raul fosse Berenice, a professora pronuncia “Beré” e fica aguardando a resposta para ver se o aluno está presente nas dependências da sala.

Em relação aos colegas de turma, Raul encontrou resistência praticamente nula. No abaixo-assinado em sala de aula, dos 60 alunos presentes somente dois deixaram de assinar a lista. Ao ser informados sobre o que estava ocorrendo, alguns chegaram a pedir desculpas a Raul por terem se referido a ele anteriormente no pronome feminino. Se prosseguir até o fim do curso, conseguindo se formar, o rapaz pretende se tornar professor . “Se conseguir realizar meu objetivo e um dia receber uma aluna ou um aluno transexual, vou chamá-lo da forma que ele preferir ser identificado, além de oferecer o meu apoio. Para mim, é esse o principal papel de um professor na sociedade”, ensina.

Transexual supera abuso do pai e vira empresária marceneira de sucesso

Moradora de Itapetininga conta drama: 'Transformou-me na mulher dele'. Ela superou os obstáculos e obteve casa própria e estabilidade financeira.

A transexual Nilce Clayr, de 45 anos, superou a infância traumática em Itapetininga (SP) e se tornou uma marceneira empresária bem-sucedida. Ela, que sofreu abuso quando criança, afirma que se dedicou muito para se manter em uma profissão tão masculina. “Fui abusada dos 9 aos 15 anos pelo meu próprio pai. Ele chegou a comprar uma cama de casal para que eu dormisse com ele no quarto, enquanto minhas duas irmãs dormiam em outro. Transformou-me na mulher dele depois que minha mãe saiu de casa para se prostituir, quando eu tinha 8 anos.”

Apesar das dificuldades encontradas logo cedo, a transexual encontrou na marcenaria, trabalho pesado que dá pouco espaço à feminilidade, uma oportunidade para ter uma vida confortável. Hoje, 23 anos depois de iniciar a carreira, tem o seu próprio negócio, comprou casa própria, carro e tem uma clientela fiel que só elogia o seu trabalho.

“Fui expulsa de casa no meu aniversário de 18 anos porque desde os 15 recusava a ter relações com meu pai, quando descobri que era errado. Apanhei bastante nesses três anos porque ele ‘bebia’. Quando atingi a maioridade, ele me disse que não tinha mais nenhuma responsabilidade. Fui embora levando só um colchão e fiquei em um cortiço onde dividia um único banheiro com oito famílias", afirmou Nilce.

Para sobreviver, ela fazia bicos até conseguir um emprego em uma indústria da cidade. "Dois anos depois as coisas começaram a melhorar, mas quando comecei a tomar hormônios e ter seios, fui demitida da indústria, provavelmente pelo preconceito. Foi aí que surgiu a marcenaria na minha vida: trabalhei sem salário na oficina de um amigo por dois anos. Desde então nunca mais parei, amo o que faço e trabalho com muita honra”, conta a empresária.

Os obstáculos hoje em dia só valorizam as conquistas da marceneira, que tem clientes em toda região de Itapetininga. “Minha agenda sempre está lotada. Não tem faltado serviço, pois sempre quando acabo um, aparece outro. Sou muito cuidadosa, nunca me machuquei trabalhando em todos esses anos", conta.

Apesar das dificuldades, Nilce diz que ainda tem vantagens por ser transexual. "É que as mulheres confiam mais em mim ao pedir um serviço do que se fosse para um homem, pois elas dizem que ficam mais à vontade. Aliás, nunca sofri preconceito por parte dos meus clientes.”

Trabalho árduo

Na oficina em que trabalha, ela confecciona móveis e peças de madeira de todos os tipos. Conhece todas as máquinas com detalhes, e por meio delas já chegou a criar peças maiores, como um closet de cinco metros de largura por 2,75 metros de altura.

“Todos nós temos capacidade. Fico indignada quando transexuais dizem que não tiveram oportunidade e que a única saída é a rua, a prostituição. Elas não tiveram oportunidades porque não buscaram a qualificação. Não ganhei um curso para aprender marcenaria, mas eu fui atrás dessa oportunidade. Há muitas transexuais que reclamam do preconceito, mas se ficar andando pelada pela rua, mexendo com os outros e fazendo escândalo, ninguém irá te respeitar. Aqui no meu bairro saio na rua do jeito que for e ninguém me fala nada, pois não dou motivo e me dou ao respeito”, exclama a empresária.

Se a vida financeira anda bem, o lado pessoal, infelizmente, não. Nilce terminou recentemente um relacionamento de 16 anos. Solteira, agora ela está se recuperando da separação. Diz que não tem mágoa de ninguém, nem mesmo do pai que a abusou e da mãe que a abandonou. “Voltei a ter contato com meu pai quando ainda era vivo e o perdoei pelo que fez. Ele não tem culpa de eu ter me tornado transexual, pois nasci mulher em corpo de homem. Claro que não queria que minha primeira vez fosse com ele, mas são coisas do passado. Também perdoei minha mãe, pois ela foi embora também porque sofria, apanhava muito de meu pai."

Bruce Jenner afirma transexualidade: "sou uma mulher!"

Ex-campeão olímpico e estrela do reality “Keeping Up with the Kardashians”, Bruce Jenner confirmou que está em processo de transição de gênero.
“Para todos os efeitos, eu sou uma mulher”, disse Jenner à jornalista Diane Sawyer, em entrevista que ainda não foi ao ar nos Estados Unidos.
“As pessoas olham para mim de uma forma diferente. Elas o vêem como este macho, mas o meu coração e minha alma, e o que eu faço na vida … é uma parte de mim – esse lado feminino é parte de mim”, explicou.
Jenner, de 65 anos e que foi casado com a mãe de Kim e Kourtney Kardashian,virou reportagem de tablóides em janeiro que o fotografaram com cabelos longos, unhas pintadas e até seios e, segundo uma fonte, ele estava assumindo sua transexualidade.

"Meu amigo gay"

Você acha que o conhece?

Se tem uma coisa que me cansa é quando eu digo que sou uma advogada paulistana e a pessoa automaticamente conclui que eu ganho rios de dinheiro, voto no Alckmin e uso conjuntinho de blazer e saia-lápis. Não, essa não sou eu. Mesmo. Ou quando alguém diz que eu sou blogueira, e os outros já presumem que eu sou magra, ultra saudável, ando sempre bem vestida, com calça esquisita e salto fino. Não, outra vez, não sou eu. 

É chato quando tiram conclusões precipitadas sobre a gente e, ao invés de podermos mostrar quem somos, temos que perder tempo demonstrando quem não somos, comprovando o que não fazemos, esclarecendo do que não gostamos.

Pois é. Essa é a história diária dos meus tantos amigos gays.

 “Que legal, você tem um amigo gay? Ele deve ter dar vários conselhos sobre moda, arrumar seu cabelo, te ensinar coreografias, dançar descamisado até o dia amanhecer, ir com você às compras, te ligar te chamando de gaaaaaata.”

 Então. Na verdade não.

 Eu até tenho um amigo gay que entende muito de moda. Mas tenho outro que só entende de terno. Outro que se veste que nem o Agostinho Carrara. Outro que não tá nem aí pra moda, tem um jeans velho e olhe lá.

 Eu, de fato, tenho um amigo gay que é cabeleireiro. E tenho outro que é um super advogado. Outro que trabalha em plataforma de petróleo. Outro que tá sem emprego, na luta, com várias contas atrasadas.

 Eu tenho um amigo gay que me ensinou a coreografia do Show das Poderosas. Outro que me apresentou uma banda dinamarquesa fantástica. Outro que toca bateria numa banda de rock. Outro que mal consegue bater palma no ritmo certo no “parabéns pra você”. Eu tenho um amigo gay que me leva para as melhores baladas, das quais nunca voltamos antes das 8 da manhã. Outro que só gosta de sair pra correr no parque. Outro que me chama para ir assistir jogo da Champions no bar. Outro que só me encontra depois da missa. Outro que nunca sai porque está estudando que nem louco pra concurso público.

 Eu até tenho um amigo gay com quem gosto de ir ao shopping. Mas tenho outro que é a melhor companhia para hamburger cheio de bacon e milk shake. E outro que é ótima companhia para ir na Leroy Merlin porque entende tudo de obra. Outro com quem adoro abrir uma garrafa de vinho e conversar sobre filosofia.

 Eu tenho um amigo gay que me liga e fala “gaaaaaaaaaata vamos pra balada?”. Mas que às vezes me liga e fala “Rú, vem almoçar aqui, minha mãe fez bacalhau”. E me liga e diz “to ferrado no trabalho, não vou ter fim de semana”. E me ligou e disse “minha avó morreu, vem pra cá por favor”.

 Às vezes dá vontade de dizer: meu amigo gay? Meu amigo gay é uma pessoa sobre a qual você só sabe duas coisas- que é meu amigo e que é gay. Para saber o resto, o jeito, o gosto musical, o tom de voz, a profissão, você precisa conhecê-lo. Te garanto que ele não cabe em nenhum molde que você tenha na cabeça.

 Com amigas lésbicas é pior ainda. “E você não acha que ela quer te pegar? E ela calça 42? E ela fala grosso? Tem cabelo curtinho com gel?”. Caceta. Não, ela não quer me pegar, nem me atacar durante a noite. Ela é minha amiga e eu sou amiga dela. Ela calça 36. Tem uma que fala grosso, outra parece uma gralha. Uma de cabelo joãzinho, outra que gasta mil reais no cabeleireiro fazendo luzes.

 Será possível que nessa altura do campeonato ainda precisamos explicar que“gay” não é um tipo de pessoa, mas uma característica de uma pessoa como qualquer outra? Que eles não pertencem a uma espécie à parte? Que eles não cabem numa forma padrão, com personalidades, atitudes e discursos pré-definidos?

Complicado…

 E no dia em que me perguntaram “mas por que você tem tanto amigo gay?” eu só consegui responder “ah, sei lá”.

 Mas, pensando melhor, eu não tenho muito amigo gay. Eu tenho, graças a Deus, muitos amigos. Dentre eles, tem hétero, tem gay, tem jogador de poker, fã do NX zero, hippie de estrada, testemunha de Jeová. Tem muita gente. Muita gente amada, do jeito que é. E é isso que importa.

 Meu amigo gay é super gente fina. Você vai gostar de conhecê-lo. Mas, por favor, não se esqueça: você ainda não o conhece.

70 milhões de pessoas no mundo são assexuadas, diz estudo



Uma pesquisa conduzida pelo professor canadense Anthony Bogaert apontou que 1% da população – ou 70 milhões de pessoas – são assexuadas.

Bogaert analisou dados de um estudo de 1994 que questionou 18 mil britânicos a respeito de sua sexualidade. Um por cento deles concordou com a afirmação “nunca me senti sexualmente atraído por ninguém”.

Os resultados, agora, aparecem no livro “Entendendo a assexualidade”. O professor da Brock University, do Estado canadense de Ontário, diz que os assexuados estão dentro da “quarta sexualidade” (as outras são a hétero, a homo e a bissexualidade).
 Para o jornalista Millôr Fernandes, entre todas as taras sexuais não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência. A pedagoga Elisabete Oliveira, que escreve sua tese de doutorado sobre assexualidade, não poderia estar mais de acordo: "As pessoas têm mais facilidade para entender as variações do desejo do que a falta dele".

A área de estudo de Oliveira é particularmente nova: há poucos trabalhos científicos sobre o tema no mundo, e a maioira deles apresenta a assexualidade como transtorno, segundo ela. "Até hoje foram escritos menos de 30 artigos que enxergam o desinteresse pelo sexo como opção".

Os próprios assexuais contribuíram para transferir seu comportamento do campo da patologia para o das escolhas. A partir dos anos 2000, eles passaram a se organizar em comunidades virtuais e a tentar se definir. Aos trancos e barrancos, chegaram à definição atual do que vem a ser um assexual: "É uma pessoa que sente pouco ou nenhum desejo por outras pessoas", explica a estudante colombiana Johanna Villamil, 26, representante da Aven (Asexual Visibility and Education Network) na América Latina.

Dentro da definição há espaço para quem sente repulsa ao sexo, namora sem transar, pratica masturbação e até transa sem interesse, no intuito de agradar o parceiro.




Com 40 mil membros, 2 mil na América Latina, a Aven é a maior organização do gênero e acha que poderia ser maior: "Pouca gente se identifica como assexual, o termo é desconhecido e parece pejorativo. Nossa intenção é sair do armário para que outros se reconciliem com a opção de não transar", diz Villamil.

No DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), catálogo de doenças mentais da associação americana de psiquiatria, assexualidade tem nome e sobrenome: é síndrome do desejo sexual hipoativo, considerada um desvio.

"Para o DSM ninguém é normal", relativiza Carmita Abdo, coordenadora do projeto de sexualidade do Hospital das Clínicas. A psiquiatra lembra que há mais diversidade entre quatro paredes do que fazem supor as revistas femininas: "Por vivermos numa sociedade hipersexualizada, não transar parece problema grave, mas ninguém deve ser medicado por não ter desejo, a não ser que isso gere sofrimento".

Deficiência hormonal, depressão, vaginismo, problemas de tireoide ou de ereção, menopausa, hipertensão e diabetes são alguns fatores que podem minar a vontade de sexo. É comum, no entanto, que pessoas saudáveis percam o desejo por um tempo: "Sexualidade não é uma linha eternamente ascendente. Para se considerar assexuada a pessoa precisa estar numa fase longa de falta de desejo sem motivo de saúde, acima de seis meses", diz Abdo.
 A fase prolongada de F. Michele, 30, tem durado sua vida inteira. A funcionária pública baiana já tentou relacionamentos com homens e mulheres só para ter certeza de sua indiferença ao sexo: "Não me faz falta. Mantive relacionamentos quando me senti exigida, mas hoje sei que é contra minha natureza", diz.

Até os 28, Michele conta que levantava suspeitas ao pular Carnaval e frequentar shows e nunca ficar com alguém: "Beijei alguns homens, tive relacionamentos rápidos, sem sexo, mas ainda assim era estranho nunca me verem com alguém".

Quando se submeteu a uma cirurgia de redução de estômago, há cinco anos, a pressão para que namorasse cresceu: "Se você não sai com ninguém porque é gorda, tudo bem, mas ser magra e só é inaceitável", diz.

Para atender à demanda da família, a moça namorou um rapaz por seis meses. Não deu certo. Tentou um caso homossexual, fracassou: "Não gosto da sensação de ser tocada e o suor durante o sexo me incomodava muito, sentia nojo".
 Hoje, Michele se diz apaziguada com sua opção: "Duas das minhas irmãs sabem que sou assexuada, falei. Para os outros, não preciso me expor tanto, mas não chego a esconder. Se alguém vem com conversa sobre namoro, deixo claro: não me interessa".

Para a psicóloga Blenda de Oliveira, todo mundo tem libido e é preciso investigar as causas antes de aceitar a assexualidade como saudável: "Há quem tenha baixa libido ou prefira canalizar essa energia para outras coisas. Mas é raro alguém que não tenha problemas com sua falta de desejo".

'Nem toda atração é sexual', diz militante

Aos 11, Marcelo C., 22, achou que os amigos haviam enlouquecido: "Do nada, todos passaram a se interessar por meninas, a falar no assunto, a inventar motivo para ficar perto delas. Eu continuava o mesmo de sempre", conta.

Aos 15, continuar o mesmo de sempre passou a ser um problema: "Já era o lanterninha da turma, o único que não havia beijado". Uma garota de outra escola, amiga da ficante de um amigo, se interessou por Marcelo: "Vai ver que era pena, ou ela era tipo gato, que sempre simpatiza com quem não gosta dele", brinca.
 Para não fazer feio, ficou com a menina. Não gostou. Tentou outras oito garotas até completar 21. "A pressão agora era por sexo e isso eu não queria mesmo. Continuo virgem", conta.

Hoje Marcelo é estudante de economia no Matogrosso e assexual quase assumido. A mãe sabe, mas o pai, não. Os primos sabem, mas os irmãos, não. Marcelo acha que encontrou uma certa harmonia com sua vida sexual: "Já pensaram que eu era gay ou pervertido, do tipo que gosta de algo tão estranho que prefere não revelar, mas acho que lido bem com a questão hoje. Ainda sofro alguns constrangimentos, mas já não estou disposto a arrumar uma namorada só para constar", finaliza.

A designer colombiana Johanna Villamil, 26, enfrentou problemas parecidos até se descobrir assexual. "Foi lendo um livro sobre Andy Warhol que encontrei algumas opiniões dele sobre sexo e amor e me identifiquei. Vi que outras pessoas pensam como eu nessa questão", conta.



Johanna começou a ter relações sexuais na adolescência "porque é a coisa mais legal que pode acontecer quando se é jovem", mas logo percebeu que não entendia bem a "função do sexo": "Pelo que via ao meu redor, pude perceber que relações sexuais não faziam os relacionamentos seram melhores, mais longos ou estáveis, então, passei a me relacionar com as pessoas de modo diferente", conta.

Para Johanna, o que ela faz hoje é "explorar o tipo de relacionamento que existe entre o amor e a amizade". Na prática, isso significa que ela tem namorados, mas não costuma transar com eles: "Não existe apenas atração do tipo sexual. Existem inúmeros tipos de atração. Eu me relaciono com pessoas que têm cérebros 'sexy', jeitos 'sexy'", diz a moça, que hoje é representante da Aven (Asexual Visibility and Education Network) na América Latina.

'Assexuais são os novos gays', diz especialista em celibato

O novo movimento dos sem desejo é fruto das conquistas de outras minorias, diz Elizabeth Abbott, especialista em celibato da Universidade de Toronto, no Canadá.

"Esse é o tema do momento. Os assexuados são os novos gays. A exemplo dos homossexuais na década de 1970, eles são vistos como doentes e sofrem punições sociais por suas escolhas", diz.
 Se os celibatários se reprimem em nome de uma causa, assexuados não têm impulso sexual: "Celibato é uma atitude 'santa' de controle dos instintos. Já assexualidade é vista como ausência de instintos, como se a pessoa não fosse um ser humano pleno", compara a historiadora.

Grupos de apoio a assexuados podem soar tão sem sentido quanto grupos dos que não curtem chocolate: não há violência contra assexuados nem barreiras para que façam o que querem -uma vez que eles não querem fazer nada.

Mas a categoria vê motivos para se unir: "Vivemos em uma sociedade que enaltece ideias românticas e vende sexo o tempo inteiro. A gente quer ser respeitado e não ser constrangido por não ter as mesmas motivações dos outros", diz o estudante Ricardo Oliveira, 21, do Paraná.

Alguns buscam as redes para lidar bem com o assédio de família e amigos, que tentam empurrar pretendentes.
 Já os românticos procuram parceiros que aceitem uma relação sem sexo. Como o engenheiro gaúcho Ricardo, 25. Ele conta que, quando deu o primeiro beijo, aos 14, não sentiu nada:

"Estava apaixonado, tinha expectativas altas, mas nada aconteceu".

Hoje, assexual assumido para alguns amigos e familiares, Ricardo tem problemas para arrumar companhia. "Como acha que sua namorada ficaria se você falasse para ela: 'Gosto muito de ti, mas não sinto vontade alguma de sexo', estranho, não?".

Os militantes acham que assumir sua assexualidade fará outros se sentirem melhor com a falta de libido.
 No Brasil, o site assexualidade.com.br, com um fórum anônimo e sala de bate-papo, atrai 70 visitas diárias. É mantido pelo estudante Júlio Neto, 21. "Assexualidade é algo ainda estranho para o brasileiro, por conta da nossa cultura, muito sensual", diz.

Dono de uma loja de informática em Pernambuco, ele diz não ter medo do julgamento social: "Sou o que sou, mas entendo quem não se expõe, é difícil ser apontado como esquisito".

Julio eventualmente beija garotas: "Não posso chamar o que faço de 'ficar'. É mais complicado, e a menina nunca entende como 'ficar'".

Nem ativos nem passivos, 'gouines' são gays que não curtem penetração

Gouine é o termo francês usado para se referir às lésbicas e foi adotado para classificar homens que se relacionam com outros homens, mas não gostam de penetração -ou, simplesmente, gouinage.

No mundo homossexual, há os que se dizem passivos (têm prazer ao serem penetrados), os ativos (que curtem penetrar) e os versáteis (que praticam os dois papéis na cama). Mais recentemente, tem surgido nas redes sociais e nos aplicativos de "pegação" um grupo de gays que se autodenomina de "gouine".

O termo, em francês, é usado para se referir às lésbicas e foi adotado para classificar homens que se relacionam com outros homens, mas não gostam de sexo anal –ou, simplesmente, "gouinage".

Desde o final da década passada, a prática vem sendo abordada em reportagens publicadas por revistas de temática gay na Europa. No Brasil, os primeiros grupos de "gouines" começam a se formar. Um deles está no Facebook, o Gouinage SP, que foi criado recentemente pelo autônomo Sergio Akio, 40. O espaço virtual serve para quem curte esse tipo de relação sexual conhecer seus pares.

Segundo Akio, há dificuldade para encontrar "gouines". "Não é um movimento, uma coisa passageira. A gente nasce assim. Muitos fazem, mas não dão esse nome, nem o conhecem", diz. "Sempre me senti 'gouine', desde menino. Por isso, até hoje, não tenho muitas relações".

Ao buscar referências na internet, quem sente o mesmo desejo de transar sem que haja penetração acaba trombando com a expressão francesa. Foi o caso de Akio. "Na época das comunidades do Orkut, eu procurava pelas páginas de sexo sem penetração. Achei uma e, nela, alguém postou algo com a palavra 'gouinage'. Fui atrás", conta ele.

E como os "gouines" se soltam sob os lençóis? O sexo oral é uma das práticas. Tem também o "frottage" (fricção em francês) ou a "guerra de espadas".

Heterossexuais podem aderir

Apesar de a prática estar mais associada a homossexuais, os heterossexuais também podem se sentir bem transando sem que tenha penetração, diz o psiquiatra Alexandre Saadeh, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. E não tem nada de patológico. "Mesmo entre heterossexuais, essa prática pode ser adotada, não o tempo todo, mas durante parte da vida sexual de um casal".

A também psiquiatra Carmita Abdo, do ProSex (Programa de Estudos em Sexualidade da mesma instituição paulistana), complementa: "Estudos populacionais que tenho coordenado sobre o comportamento sexual do brasileiro revelam que cerca de 20% das relações sexuais não têm penetração por diversas razões, inclusive por dificuldade de ereção ou de relaxamento da vagina. Mas também por opção".

Em outras palavras, nem todo mundo, seja hétero, homo, bi e afins, sente tesão em ser penetrado. "Já me senti discriminado por não gostar. Muitas vezes, saí do motel ou de um encontro sem fazer nada", diz Sergio Akio. De acordo com Carmita Abdo, pessoas têm sensações e preferências diferentes –o anal, muitas vezes, não está entre elas. "Não há regra para o prazer".

"Sexo não é só penetrar, seja em que orifício for. É muito mais do que isso. Envolve a realização e o prazer consensual entre os praticantes. A penetração é uma possibilidade dentre várias", explica Saadeh. Segundo o especialista, a masturbação conjunta ou trocada, sexo oral, uso de toques e da língua no corpo como podem, além de ser estimulantes, levar ao orgasmo.

Quem é ativo, quem é passivo?

O psiquiatra Alexandre Saadeh explica que há homens, e também mulheres, que têm facilidade enorme em serem penetrados e gostam disso. "Ainda assim, sua postura na cama é de dominação. Não são eles os passivos, mas, sim, quem penetra, que acaba assumindo esse papel frente à postura ativa do parceiro".

Segundo Carmita Abdo, não é exatamente ou exclusivamente a penetração o que define quem domina e quem é dominado. "Numa relação sexual, esses papéis, geralmente, se alternam, mesmo que os parceiros não estejam preocupados com isso: ora um domina, ora o outro".

Para Saadeh, sempre existirá alguém mais ativo/dominador e alguém mais passivo/dominado, mesmo que seja transitório, que implique versatilidade da dupla.

"Existem casais homossexuais em que os dois penetram e são penetrados, com troca de papéis, dependendo da vontade de ambos. No caso do "gouinage", também haverá um mais dominador e outro mais dominado, mas isso pode variar", fala.

"Igualdade na cama existiria para quem? Por quê? É um mito acreditar nessa política de igualdade sexual. Cada um gosta do que quiser e na hora que quiser. Tem de ser democrático, mas não igualitário", diz ele.

O risco de doenças sexualmente transmissíveis, as DSTs, é menor entre os "gouines", mas ainda persiste. Isso porque sexo oral, masturbação e carícias diminuem o contato das mucosas com as secreções sexuais, mas não totalmente. "A pele machucada pode se contaminar, assim como a mucosa", alerta Carmita. Camisinha, portanto, é essencial, mesmo sem penetração.

Estudo analisa risco de câncer de mama em transgêneros



Pessoas transgênero, nascidas com o sexo biológico feminino ou masculino, devem realizar exames de mama periódicos

Um estudo publicado na semana passada nos Estados Unidos analisou pacientes transgêneros diagnosticados com câncer de mama. A importância do estudo é aumentar o conhecimento nesta área, que ainda tem poucas publicações em língua inglesa, e alertar para a necessidade de diagnosticar esses casos o quanto antes.
O estudo foi empreendido por George R. Brown, da faculdade de Medicina da Universidade Estadual do Leste do Tennessee, nos Estados Unidos. Para o estudo de caso, foram avaliados dez pacientes transgêneros com câncer de mama confirmado, sendo sete pessoas nascidas com o sexo biológico feminino e três nascidas com o sexo masculino.
Dos nascidos com o sexo masculino, todos apresentaram a doença em estágio terminal, enquanto que, com as pessoas nascidas com o sexo feminino, foi constatado o oposto: na maioria dos casos o câncer mostrou-se em estágio inicial e passível de tratamento.
Prevenção

O estudo sublinha a importância de se realizarem exames rotineiros em pessoas transgênero, tanto as nascidas com o sexo biológico feminino quanto com o sexo masculino, sobretudo nos casos em que há histórico da doença na família.
O câncer de mama em pacientes transgêneros raramente é relatado e, quando é, é geralmente relacionado com o uso de hormônios e mencionado como potencial efeito adverso. O estudo mostra que o consumo de altas doses de estrogênios eleva o risco do câncer de mama. No entanto, o câncer pode ocorrer na ausência do tratamento hormonal, em pessoas com disforia de gênero (quando a pessoa tem desconforto persistente com seu gênero) ou problemas relacionados.

Vale lembrar também que pessoas que procuram por tratamento hormonal nem sempre o fazem com acompanhamento médico, podendo consumir altas doses sem os devidos cuidados.

O público está pronto para ver um beijo gay nas novelas?

Thiago Fragoso e Marcelo Anthony, intérpretes de um casal homossexual na nova trama “Amor à Vida”, têm opiniões contrárias sobre a cena. E você, o que acha? Dê sua opinião na nossa enquete
O clima esquentou entre as personagens Sereia (Isis Valverde) e Mara (Camila Morgado) de “O Canto da Sereia”, mas nem assim o beijo rolou . Foto: Divulgação/TV Globo
A nova novela das 21h da TV Globo, “Amor à Vida”, nem estreou ainda, mas já ressuscitou uma antiga polêmica em relação aos personagens gays na teledramaturgia Thiago Fragoso e Marcelo Anthony, intérpretes de um casal homossexual na trama que estreia no próximo dia 20 de maio, deram opiniões contrárias sobre a disponibilidade do público brasileiro em ver um beijo gay na teledramaturgia.

“A princípio, não é a intenção. A gente quer discutir essa nova família brasileira, porque não acho que a família brasileira, conservadora na sua maioria, queira ver um beijo gay agora. Não sei se é o caso de a gente mostrar”, opinou Fragoso, ponderando que não teria nenhum problema em beijar o colega Anthony na novela, caso a cena acontecesse.

Anthony, por sua vez, tem uma visão mais otimista sobre a opinião do público. “O beijo gay está em aberto, vai depender de como o público vai reagir com o casal, mas acredito que no final da novela, pela primeira vez, as pessoas vão torcer para que um casal gay acabe junto”,

Nos últimos anos, a discussão em torno do beijo gay tem se repetido toda vez que uma novela da Globo apresenta personagens homossexuais. Foi assim nas tramas “Avenida Brasil” (2012), “Insensato Coração” (2011) e Tititi (2010).

Fora da tela da Globo, o beijo gay aconteceu recentemente na novela “Amor e Revolução” (2011), no SBT, entre as personagens Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre).
O cinema brasileiro tem sido muito mais ousado que a TV na hora de exibir carícias entre personagens do mesmo sexo. Um exemplo é o filme “República dos Assassinos”, de 1979, que apresentou um beijo gay entre os personagens dos atores Tonico Pereira e Anselmo Vasconcelos.

O ator Mateus Solano, que também viverá um personagem gay em "Amor à Vida", já fez um cena de beijo com outro homem no cinema. Na comédia “Novela das 8” (2012), ele beijou o ator Paulo Lontra.

Relembre na galeria acima os personagens que ficaram sem beijar nas novelas e dê sua opinião na enquete abaixo.

Uma lésbica casada com um homem

Aos 50 anos consegui admitir a mim mesma que era lésbica. Sou casada há mais de 25 anos e tenho uma filha de 15. O meu casamento tem sido um martírio, pois não tenho nenhum desejo.

Sempre me atraí por mulheres, mas nunca tive coragem de assumir. Depois vieram as proibições religiosas. Tem sido angustiante a minha vida sexual. Desde adolescência, os meus primeiros contatos com o sexo foram com homens, mas nunca foram bons. Eu achava que era por que não rolava paixão. Aos 16 anos, tive um relacionamento diferente com uma colega de trabalho. Ela me agradava, estávamos sempre juntas, rolava muito carinho. Mas nunca nos tocamos. Existia a vontade, mas havia muito medo, pois na minha cabeça, quem gostava de mulher era sapatão, machona, e eu sempre fui feminina. Não entendia o mundo lésbico.

Acabei me casando mais por conveniência do que por paixão. Para ter um pouco de prazer, fecho os olhos e me imagino transando com uma mulher. Sonho muito em poder experimentar, pois só de olhar uma mulher interessante já sinto que terei plenitude no sexo. O meu marido não entende o porquê de não procurá-lo e não ter alegria no nosso relacionamento sexual. Em outras áreas da nossa vida, nos damos bem. Ele é um ótimo marido e me sinto culpada por não ter prazer com ele. Mas não tenho coragem de falar.

A única vez que falei disso com alguém foi aqui, no Blog Sociedade GLS LGBT , porque sei que não serei rejeitada. Tenho muito medo de enfrentar o mundo, a família. Já pensei em divórcio, mas o medo é maior e acabo deixando as coisas como estão. Penso até quando vou conseguir suportar esse segredo. Desabafar está me fazendo muito bem.

O desabafo foi feito por uma leitora do Blog Sociedade GLS LGBT. Ela é prova de que não existe cura gay. As pessoas simulam mentiras por muitos anos apenas para agradar os que estão à sua volta.

O medo, a imposição da família e o julgamento da sociedade podem levar alguém a fazer esse tipo de escolha: fingir que é feliz.

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